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Atualizado em 19/02/2013 às 09:09

Austrália: relatório avalia cadeia pecuária de fornecimento ao consumidor, superficialmente segundo analista do país

Confinamento, rastreabilidade em toda a cadeia de produção e a melhor rotulagem da carne bovina estiveram entre os tópicos mais discutidos em uma análise da indústria de carne bovina publicada pela vigilância do consumidor da Austrália, Choice. A orientação geral do artigo é positiva, com informações úteis ao consumidor na hora de tomar a decisão de comprar carne bovina.


 Confinamento, rastreabilidade em toda a cadeia de produção e a melhor rotulagem da carne bovina estiveram entre os tópicos mais discutidos em uma análise da indústria de carne bovina publicada pela vigilância do consumidor da Austrália, Choice. A orientação geral do artigo é positiva, com informações úteis ao consumidor na hora de tomar a decisão de comprar carne bovina.

A reportagem tenta levar os leitores em uma viagem “do pasto ao prato, da propriedade de origem do confinamento, à planta de processamento e à prateleira do varejo na forma embalada. “Quando o produto vem como um bife na sua mesa de jantar, houve mais de um caminho que ele pode ter tomado desde o pasto”.

“O mercado desenvolveu duas principais maneiras de produzir carne para satisfazer a demanda do consumidor. Pela via sustentável, os temas centrais entre os produtores são o tratamento animal, a rastreabilidade/proveniência e a saúde do solo, bem como o valor da carne para a saúde. Pastejo rotacional é popular, à medida que dá ao pasto a oportunidade de crescer de novo e minimiza a compactação do solo. Entretanto, esse modelo é intensivo em termos de recursos e pode resultar em carne mais cara aos consumidores”, diz a Choice.

“O modelo de produção industrial é como a maioria da carne bovina é comercializada. O foco é a lucratividade. O gado criado dessa forma geralmente são recriados em pastos e depois confinados. Alguns são críticos sobre a densidade nutricional da carne bovina produzida pelas práticas industriais”, disse a reportagem. A Choice sugere que uma das razões para o desenvolvimento dos confinamentos é que “a maioria do gado é vendida por quilo ao invés de pela qualidade”.

O representante da Associação de Confinadores Australianos (ALFA), Dougal Gordon, foi citado dizendo que a demanda dos consumidores por carne bovina de animais alimentados com grãos também encorajava a terminação de gado em confinamento. A carne de animais alimentados com grãos tem uma textura mais macia e um sabor mais rico do que a carne de animais criados a pasto.

Gordon disse que 70-80% de todo o gado produzido para os dois principais supermercados da Austrália, Coles e Woolworths, gastam de dois a três meses em confinamento antes de serem abatidos.

A Choice também consultou Glenys Oogjes, diretora executiva da organização de proteção animal, Animals Austrália, que disse, embora o setor de confinamento seja bem regulamentado, existem “alguns problemas com o padrão atual”. “Existe um problema inerente em tirar um animal do pasto e colocá-lo em uma dieta com grãos ricos em proteína em um curral. Do ponto de vista comportamental e de bem-estar, estamos preocupados”, disse ela.

Instalações “inadequadas” para os animais confinados também é uma preocupação, disse a Choice. A RSPCA (Sociedade Real para Prevenção de Crueldade com Animais) argumenta que mesmo raças de gado adaptadas a climas mais quentes naturalmente procuram sombra e que os confinamentos deveriam fornecer sombra sem comprometer a capacidade de secar os currais após o clima chuvoso. A ALFA disse que cerca de 60% do gado em todos os confinamentos atualmente têm acesso a sombra, com o restante principalmente localizado no sul e nas áreas alpinas”.

Interrogado sobre o uso de promotores de crescimento, Gordon disse que os animais que são tratados com hormônios promotores de crescimento – que podem aumentar as taxas de crescimento em 15-30% – não têm qualidade imferior comparado àqueles que não são tratados – apesar de isso reduzir o marmoreio, que contribui para o sabor.

Mais além na cadeia de fornecimento, a Choice disse que a maior centralização de frigoríficos na Austrália significa que a distância entre fazendas e indústria está aumentando. “O Código Modelo de Práticas para Bem-Estar dos Animais especifica que o gado pode ser transportado por até 36 horas sem água. Isso pode ser estendido para 48 horas se os animais não mostrarem sinais de fadiga e o clima estiver favorável. Apesar disso, algumas pesquisas mostraram animais consideravelmente desidratados e notavelmente cansados após 24 horas de transporte”, diz a reportagem.

O relatório também contém uma longa discussão sobre licenciamento de abatedouros, regulamentação e processos de auditoria, destacando que, embora os abatedouros para exportação exijam um veterinário de biossegurança do Departamento de Agricultura, Pesca e Silvicultura (DAFF) no local durante o processo de abate, os abatedouros para carne doméstica precisam somente empregar um encarregado interno pelo bem-estar animal.

“Embora os mecanismos de regulamentação variem nos abatedouros doméstico e de exportação, pouca informação está disponível aos consumidores sobre os resultados de auditorias em frigoríficos de onde vem a carne doméstica. A Autoridade de Alimentos de New South Wales recentemente descobriu falhas de bem-estar animal em todos os 10 abatedouros domésticos no estado. Apesar disso, não há forma de saber de quais plantas de processamento de carne o bife que você comprou no supermercado vem”, disse a Choice.

O Sistema Nacional de Identificação de Gado foi creditado para garantir que toda a carne bovina produzida para consumo na Austrália possa ser rastreada da propriedade de cria ao abate para propostas de biossegurança, segurança da carne e integridade do produto. Entretanto, uma vez que a carcaça é porcionada e embalada para venda no varejo, esse fluxo de informação termina e na maioria dos casos não é repassado ao consumidor, disse a Choice.

“Os consumidores não estão muito preocupados sobre a origem do animal – eles somente querem confiança de que a Coles saiba de onde ele vem”, disse o gerente geral de carnes da Coles, Allister Watson. Alguns cortes premiums da Coles incluem proveniência, apesar de os detalhes do processamento não estarem na embalagem. A proveniência também não está na embalagem da maioria da carne bovina vendida na Woolworths. Embora a rede Aldi afirme que toda a carne que vende é rastreada, a informação não está disponível nos pontos de venda.

Com os cortes nos supermercados e nos cardápios de restaurantes cada vez mais tendo origem e método de produção diversificados, a Choice disse que os consumidores querem ser melhor informados sobre o que estão comprando. Em uma pesquisa recente, a publicação descobriu que 83% dos participantes disseram que quando escolhem comprar um alimento, é importante saber se esse foi produzido “eticamente”. E um número ainda maior, de 91%, disse que não havia informação suficiente na embalagem sobre a produção.

“Os consumidores pagam um preço maior pela carne de boa qualidade, mas eles podem não entender a diferença dos diferentes métodos de produção”, disse a conselheira de politicas alimentares da Choice, Angela McDougall. “Quando as pessoas pedem um bife de animais alimentados com grãos, elas podem não saber que isso significa que os animais estavam em um confinamento por 60 ou 70 dias com uma dieta rica em proteína com o objetivo primário de ganhar peso rápido. Entender o significado das diferentes descrições da carne pode ajudar os compradores a decidir o que é importante para eles – para alguns, são preocupações éticas, como bem-estar animal e sustentabilidade, enquanto para outros, pode ser o valor em dinheiro ou o sabor”, disse ela.

O artigo também forneceu um guia para “termos descritivos da carne bovina” para ajudar os consumidores a ter um melhor entendimento sobre a origem de sua carne. Ao oferecer explicações sobre várias descrições para produtos de carne bovina vistas nas prateleiras do varejo, a reportagem fornece algumas definições razoavelmente padronizadas para os termos como criados a pasto, alimentados com grãos e orgânico. Porém, erra em outros termos, citando incorretamente carne bovina “livre de hormônios” (deveria ser produzida sem aplicação de hormônio).

Se a reportagem aumenta o conhecimento do consumidor típico de carne bovina é discutível, à medida que tende a se apoiar em velhos clichês sobre práticas da indústria e divaga em práticas estatisticamente insignificantes como biodinâmica.

A reportagem é do Beefcentral.com, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.


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