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Atualizado em 28/04/2014 às 11:11

NOTÍCIAS DO FRONT - "DEIXE A POEIRA BAIXAR"

NOTÍCIAS DO FRONT A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #112, de 27/ABR/14 a 03/MAI/14)


 

Aos que verdadeiramente sustentam o País,

 

Falamos nos textos passados que o boi estava munido de paraquedas e de colete a prova de balas na sua peleja diária do Front de mercado. E que vinha resistindo bem a todas as munições lançadas contra ele.

Estávamos com o sentimento que algo ocorreria, tanto que escrevemos: “olha que vem aí chumbo grosso…” E veio mesmo. Esta semana o mercado, atirou contra o bovino usando uma munição muito pesada, uma verdadeira bomba, que foi um possível novo caso de EEB não clássica, tal qual houve em dez/12 no PR.

Esta bomba acabou de explodir, levantando uma cortina de poeira muito grande, de modo que não dá para saber até agora o que houve corretamente. Pouco se enxerga neste momento. A única coisa que dá para saber de dentro de sua trincheira (Fazenda) agora é que você e todos os seus amigos estão vivos. Mas para saber o que de certo houve, há que se esperar um pouco…

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

O status do BeefRadar apontava com igual possibilidade para estabilidade e queda moderada. E ficamos na estabilidade. Sendo fiel aos números, houve uma diminuta alta de R$ 0,14 na semana, pois saímos de R$ 123,90 av (variando de R$ 121,50 a R$ 127) e chegamos em R$ 124,03 (variando de R$ 121,50 a R$ 127,75). Mercado “de lado”, portanto, apontando para a segunda semana de alta. Entretanto, mantemos o “cenário macro” da tendência de preço (de lado, com viés de baixa de intensidade a ser definida).

Com relação às escalas, para SP, vemos a maioria entre sexta (02) e terça (06), mantendo o “DIA D” como SEGUNDA e o “PLACAR” no mesmo intervalo, ou seja, de 4 a 5 dias úteis (temos feriado novamente, na quinta).

Pelos lados da “terra do Pantanal”, o MS, os preços médios variam de R$ 118 até R$ 120, na condição de ap, com escalas entre seg (05) e terça (06).

Aparentemente o mercado fechou ao meio dia de sexta (pouco se compra no final das sextas normalmente) com poucos reflexos da notícia do animal do MT. Desta forma, o BEEFRADAR vai para: “estabilidade(45%)/queda leve a moderada (55%)”.

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Até quinta, nada de novo. Escalas relativamente curtas e com preços na faixa vista na semana passada. Porém na sexta, com o alarde em mídias de grande alcance da notícia acima, o mercado mudou em GO. A referência passou para R$ 114av x R$ 116ap, com preços de até R$ 1/@ acima desta referência e ágio EU adicional de +R$ 1/@. Mas no final da sexta, praticamente todas as indústrias saíram das compras. Só uma ficou ativa. As demais recolheram a compra. Pararam.

Porém, nada mudou muito bruscamente em termos de escalas, pois todos estavam com a lista de abate pronta até a próxima sexta, comprando bois para a segunda (05/maio). Porém há relatos de que a oferta de bois aumentou muito bruscamente em GO durante o dia da sexta, sustentando esta decisão das indústrias “se recolherem”. Aparentemente o pecuarista “sentiu o golpe” e demonstrou interesse em entregar os animais prontos. Vamos ver se este interesse se concretiza em vendas e em qual volume. A próxima terça será vital para sabermos o que de fato ocorrerá.

O diferencial de base de GO x SP segue a tendência de estreitamento, fechando a média semanal em – R$6,60/@. As vacas, mantendo o padrão de semanas, seguem com 7% de deságio médio em relação ao boi.

Diante deste cenário de incertezas, passamos o BEEFRADAR para: “estabilidade(40%)/queda leve (60%)”.

 

3)      HORA DO QUILO“Nunca teste a profundidade do rio com os dois pés” (Warren Buffett, famoso investidor do mercado financeiro americano e mundial).

 

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. A ECONOMIA, A NOSSA PREOCUPAÇÃO DEFINITIVA…

Vejam os links abaixo. Eles falam por si, fique a vontade para conferir alguns deles. Infelizmente, os relatos ruins sobre a economia brotam. Veja:

*http://novoemelhor.com/capa-do-le-monde-brasil-o-pais-mais-caro-e-sobretaxado-do-mundo/

*http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2014/04/1445065-meu-dissabor-e-com-o-pais-que-nao-tem-prioridades-diz-bernardinho.shtml

*http://noticias.r7.com/economia/a-50-dias-da-copa-hoteis-de-sao-paulo-ainda-tem-76-de-quartos-vazios-24042014

*http://oglobo.globo.com/videos/t/todos-os-videos/v/economia-no-globo-brasil-tem-deficit-externo-historico-r-25-bi-no-primeiro-trimestre/3306264/

*http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2014/04/governo-prepara-medidas-para-socorrer-montadoras.html

Nunca é demais lembrar que o boi está inserido na macro-ecomomia e que os animais de reposição comprados este ano irão ser comercializados em 2015/2016. E sobre 2015:

*http://www.folhapolitica.org/2014/04/o-pais-vai-explodir-em-2015-diz-arnaldo.html

4.2. OS DETALHES DA BOMBA

Até agora, tudo indica ser o mesmo caso do PR de dez/2012, a Encefalopatia Espongiforme Bovina Não Clássica, cuja nota do Beefpoint esclarece muito bem, veja a seguir:http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/giro-do-boi/posicionamento-oficial-da-abiec-sobre-suspeita-de-caso-atipico-de-eeb/

E desta vez, a rapidez dos posicionamentos, que foi a principal queixa dos compradores externos naquela oportunidade, foi bem diferente. A mídia também, pelos relatos do Maurício Palma (coletiva do Rally da Pecuária), foi muito correta, seguindo argumentação técnica. Parece já haver um plano de ação por parte do MAPA/ABIEC para saberem como agir agora. A rota deste plano é esclarecimento, nada mais que isto, uma corrida contra o tempo. Ter todos os mercado esclarecidos é o objetivo.

Na EU, compradores de carne já receberam a notícia, mas ainda não de forma negativa, pois estão esperando a confirmação internacional do diagnóstico do animal. Estão em “stand by”, mas preveem possíveis movimentos dos mercados compradores iguais aos ocorridos em dez/12. Nada de pânico, apenas cautela, portanto.

As duas palavras grifadas acima (Não Clássica) mudam toda a intensidade do problema. Esta apresentação da doença não é aquela temida por todos, principalmente o mercado comprador.

Por enquanto, em SP/MS, houve pouco efeito no mercado físico. Em GO, houve um maior efeito, advindo de uma enxurrada de oferta para os compradores. Este volume de boi foi ofertado, mas a maior parte não negociado ainda, afinal de contas, a escala não deslanchou. Mas a oferta foi tão grande a ponto de a indústria sair das compras em praticamente todo estado no final da sexta. Antes disto, uma empresa já testou o mercado com o preço balcão em queda de R$2/@. No final do dia, esta mesma empresa saiu das compras também.

Ao nosso ver, até agora, o pior efeito desta “bomba” foi dado de bandeja para a indústria pelo próprio pecuarista, que foi a sinalização da oferta de bois. Sinalizamos que temos bois para entregar e aí houve um rebuliço.

Neste momento, os frigoríficos estão com as margens muito apertadas tanto no mercado interno (aquisição do boi caro + vendas fracas + estoques altos + concorrência com frango a preço menor), quanto no externo (dólar mais fraco e vendas menores que 2013 e até 2012, contrariando as expectativas para o ano).

Eu mesmo, ontem perguntei a um funcionário de uma grande rede varejista e ele me disse que as vendas de abril “foram fracas, pois o preço está alto”… Até o consumo da grande locomotiva do País (SP) tem decepcionado e a cerca de 40d da copa do mundo, a carne “não foi”, já gerando uma frustração de expectativas de vendas. Além dos frigoríficos, o varejo tem tido redução de sua margem, gorda a tempos por sinal…

Cruzando, portanto, margens apertadas + sinalização de oferta concentrada, é normal que a indústria trabalhe com cautela e tente fazer recuos. Se vai conseguir ou não, é outra história, mas este movimento é normal. Faz todo sentido.

Não vou comentar aqui sobre a possibilidade de esta notícia ter “sido plantada”, seja lá por quem for, comentário este muito comum no mercado. Acho que isto é igual a acreditar que pecuarista possa por fogo no seu próprio capim. Deixo cada um com a sua conclusão.

A grande diferença para o caso de 2012 é que naquele ano foi em dezembro e agora justamente no pico da safra… e também num estado que tem a maior pecuária do Brasil.

Finalizo ressaltando que o maior prejuízo até agora desta “bomba” pode ter sido feito pelo próprio pecuarista, sinalizando uma possibilidade de oferta concentrada ao seu comprador. Minha recomendação: cautela nesta hora. Deixe a poeira baixar, para enxergar melhor que direção deve ser tomada, ou melhor, se alguma coisa deve ser feita mesmo… Você pode se precipitar, ao agir sem cautela neste momento.

Até o próximo, se assim, Deus nos permitir.

rodrigo albuquerque
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