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Atualizado em 31/03/2014 às 09:09

NOTÍCIAS DO FRONT - "SINAL VERMELHO PARA A CARNE E AMARELO PARA O BOI "

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #108, de 30/MAR/14 a 05/ABR/14)


 Ao “exército de iguais”,

 

No jogo do farol de trânsito da arroba, a coisa se inverteu, em termos dos sinais…

Bom, de dez dias para cá, escutei algumas vezes a mesma pergunta: “o que eu faço agora, ou seja, vendo ou não?” Na minha concepção, e aliado a opinião de alguns amigos que estão “por dentro das contas”, talvez este final de março tenha sido a melhor hora para se vender no ano, seja o gado gordo, seja o magro. Isto levando em consideração os custos para se terminar um animal agora e o seu preço de venda, vide conversas com o Maurício Palma. Concordo com ele… Vamos ver isto mais de perto.

 

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

O teto cedeu… Saímos de R$ 126,76 av (variando de R$ 124,50 a R$128,75) e voltamos para R$ 125,42 av (variando de R$ 123,75 a R$ 129). E novamente, se repetiu em 2014 o limite de semanas de alta vivido em 2013. O bovino não tem conseguido romper esta barreira das 9 semanas de alta…

Os negócios no físico, no final da semana, concentravam-se em R$ 123 a R$ 126 av, com escalas para a segunda (07/abr) na quase totalidade das indústrias. Assim, o “DIA D DAS ESCALAS”, de SÁBADO foi para SEGUNDA, com ociosidade já bem pequena.

Na “Terra da sopa paraguaia” (que saudade dela!), o MS, vemos preços de R$ 119av x R$ 120ap e mesmo padrão de escalas que SP. A indústria tenta impor recuos mais fortes em SP e ainda com mais timidez no MS.

Alertamos aqui que a “situação extrema de falta de oferta” estava se dissipando. E de fato ocorreu. Sendo assim, o BEEFRADAR, vai para: “estabilidade(20%)/baixa leve a moderada (80%)”.

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Também esfriou a coisa, mas ainda bem menos que SP. Aqui, recuo mesmo, ficou só na vontade de comprador de boi gordo. No mercado físico local de GO, praticamente ainda se mantém o R$ 116av x R$ 118ap, com ágio EU adicional de +R$ 2/@.

De fato, o melhor preço apontado pelo relatório de preços regionais CEPEA ainda é o R$ 120ap, enquanto que SP já não marca os R$ 130, mas sim R$ 129, e com tendência de perda deste…

Quanto ao “DIA D DAS ESCALAS”, deixamos a QUINTA e caminhamos para o SÁBADO, pois ainda tem gente que não fechou a semana.

A melhor notícia é que a diferença com SP confirma a tendência de estreitamento, com média semanal de –R$ 8,78/@. A vaca, devagarinho, com bastante preguiça vai ficando com o preço mais afastado do macho, hoje marcando deságio de -7,70%.

O BEEFRADAR, com as barbas de molho, fica em: “estabilidade(35%)/baixa leve a moderada (65%)”.

 

3)      HORA DO QUILO: o “primo Pedrão” fez muitas artes em 2013: foi o 6º ano mais quente da história; pior seca do NORDESTE brasileiro em 50 anos; o clima de 2013 da Califórnia para o mais seco desde 1.895; o clima do hemisfério NORTE teve as menores temperaturas das últimas décadas e por aí vai… Em 2014, nossos reservatórios de água estão nos níveis de 2001, ano em que houve racionamento. Vocês estão esperando o que para ver os relatórios de chuva do segundo trimestre do ano? O primeiro, teve déficit de quase 25% em nossos apontamentos. E já estamos na segunda semana do outono… Segundo o CPTEC, no segundo trimestre, a maior parte da pecuária do BR vai estar em uma faixa de terra com igual probabilidade de chuvas nos percentis acima, abaixo ou dentro da normalidade pluviométrica… Não ajudou muito. Pode ocorreu muita chuva, pouca ou dentro da normalidade. Mas, veja em: http://infoclima1.cptec.inpe.br/

 

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. Marque no seu caderninho… O topo da safra 2014

  1. Maior preço nominal da arroba da história em SP: R$ 127,77/@ à vista (base indicador BMF), em 24/mar;
  2. Maior preço nominal da arroba da história em GO: R$ 118,44/@ à vista (base preços regionais CEPEA), em 25/mar;
  3. Maior preço nominal da carne (atacado) da história em SP: R$ 8,32/kg de carcaça casada (base preços regionais CEPEA), em 18/mar;

4.2. O sinal amarelo da carne “avermelhou”

Semana passada falamos em dois movimentos novos no mercado: as escalas que pareciam inverter a tendência e a carne que vinha querendo “descer a ladeira”. Pois bem, ambos movimentos se intensificaram.

Do dia 18/mar, dia do pico, para cá, a carne no atacado (carne que o frigorífico vende) caiu o equivalente a R$ 7,70/@. Fala-se em quaresma e meio de mês. Sabe-se que a restrição ao consumo na quaresma vem caindo bem, basta ver a quantidade de espetinhos no final de tarde nas ruas. De toda forma, algum efeito pode ainda haver. O que parece estar ocorrendo, de maneira mais importante que o consumo, é o fato da demanda estar pressionada pelo alto preço do produto. Este final de semana, eu pude comprovar isto no supermercado. Ninguém ao menos perto da gôndola de carne.

Também tem se falado que a exportação perdeu competividade. Pode ser, mesmo porque o dólar deu uma “recuadinha”. Vai mais uma observação de consumidor: achei picanha de primeira qualidade da Austrália por R$ 48,88/kg e duas linhas premium do BR por R$ 55,57/kg… Difícil de entender…

O que mais intriga é que o preço do atacado caiu ainda com abates ociosos e na semana que deveria estar ganhando firmeza (final de mês), na recomposição das lojas do varejo. E agora? Os abates voltaram à carga normal, recompondo os estoques. Isto pode dar “munição pesada” no sentido da baixa da carne no atacado.

4.3. Do couro, sai a correia: sinal amarelo passou para o boi

As indústrias já estavam com margens operacionais pressionadas em função da falta extrema de matéria-prima. E agora, ainda são mais corroídas, com a queda do atacado. Os níveis de rentabilidade dos frigoríficos voltaram aos níveis baixos e perigosos de 2010/2011.

Imagina a vontade de “baixar o boi”, seu maior custo. Como diz o Maurição, “quem tem a vontade, tem a metade”. E a outra metade quem está dando de bandeja é boi “pondo mais a cara” na escala. Era tudo que eles precisavam. E isto ainda veio na 9ª semana de alta… Imagina o que ocorreu: o boi já perdeu R$ 2,35/@ em relação ao pico, o que é bem menos que os quase R$ 8/@ que a carne caiu… E o boi só não derreteu o mesmo que a carne, porque a oferta não está as “mil maravilhas” ainda não. Ela apenas melhorou. Saiu do prognóstico reservado de UTI intensiva, mas ainda respira por aparelhos. Não há “desmantelo” no preço, ainda!

A indústria esta precisando e querendo desesperadamente o boi barato das águas para recompor as suas margens. Apenas isto. E está certa.

4.4. E agora, quem poderá nos defender?

Não adianta chamar o Chapolin Colorado. Vendeu em conta gotas, aproveitando a alta? Sim, parabéns, pode dormir tranquilo. Caso não, espere o “próximo galeio” e coloque a faca nos dentes agora. Sem desespero, fique quieto. É provável, você “passar um calorzinho danado”. Estamos em abril. E maio é maio. “Nunca subestime uma safra”, nos ensinou o Rogério Goulart.

Quer queira, ou não, é provável ter uma venda represada de boi de pasto tardio concomitantemente com estes animais de cocho precocemente confinados. É fato. Outra coisa, como disse o Ricardo Heise: imagine a quantidade de boi gordo e não abatido no NORTÃO por problema de logística (excesso de chuvas, por lá). Não se esqueça que a carne anda e bastante.

O problema de nós, pecuaristas, é que achamos que só nós mesmos temos o bovino. Acreditamos que ninguém mais o tem, e que temos a melhor estratégia do mundo… Ledo engano. Todos pensam igual a você. Você tem que aprender que “boi é igual a coceira de macaco, pode ralear, mas não acaba”, como nos iluminou o Heise. E devagarinho, ele vai “pondo a cara” para fora do buraco de tatú que ele se meteu.

É provável trabalharmos em abril com um padrão de oferta não tão escasso quanto março e que isto possa se acentuar em maio… Mas não se desespere. O boi de primeiro giro já não fecha a conta!! Faça as suas. Compre boi magro pelo preço do gordo, para pesar na Fazenda do vendedor, leve-o para o cocho e tente ver o que sobra no final: nada!! E ainda deverá algo na praça.

Esta é a senha para a volta da firmeza no boi. E de 12/jun a 13/jul, teremos a copa, inchando o mercado interno. Será que nesta condição de “1º giro sem taxa”, haverá oferta suficiente depois de maio? Para mim, o boi agora vai descendo a escala dos preços, devagar, mas já está nos avisando “de cantinho de olho” que tem data para voltar… Faça as contas do seu estado. Em GO, p.ex., devem ser abatidos cerca de 15.000 animais por dia. E viva a Copa!

Até o próximo texto, se assim Deus permitir…

rodrigo albuquerque
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