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Atualizado em 25/03/2014 às 13:13

NOTÍCIAS DO FRONT - "Carne vermelha com sinal amarelo"

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #107, de 23/MAR/14 a 29/MAR/14)


 Ao “exército de iguais”,

 

Caso me pedissem para resumir o mercado do boi gordo em uma palavra, esta seria ebulição. A cabeça dos agentes do mercado, sobretudo os pecuaristas, está fervendo. O que fazer? Como muito bem nos iluminou o Ricardo Heise: a situação atual é como se o pecuarista fosse um piloto de teco-teco e o seu sonho era estar numa cabine de comando de um Airbus.

Pois bem, colocaram-no agora ali sentado, e ele não sabe bem o que fazer. E esta situação o está incomodando. O jato, assim como o bovino, está lá em cima… Pois bem, vamos tentar ver qual botão será melhor apertar mais abaixo.

 

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Em termos de indicador de preço, mais uma semana forte, ou seja, a nona semana seguida de alta do indicador. Saímos de R$ 124,39 av (variando de R$ 123 a R$126) e chegamos na última sexta em R$ 126,76 av (variando de R$ 124,50 a R$128,75).

Com relação ao “DIA D DAS ESCALAS”, a coisa mudou. De QUINTA foi para SÁBADO, e ainda com um agravante: ociosidade em queda. Vamos falar disto mais adiante.

Pelos lados da “Terra da XIPA”, o MS, temos preços de R$ 120 a 122/@, com a maioria das indústrias tendo completa a escala da semana que se inicia, ou bem perto disto.

Aquela situação extrema de falta de oferta que definimos como rara, parece estar se dissipando. Sendo assim, o BEEFRADAR, fica em: “estabilidade(65%)/alta leve (35%)”.

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Graças a Deus, a coisa continuou firme para os “comedores de pequi”. No mercado físico local de GO, saímos de R$ 113av x R$ 115ap e chegamos em R$ 116av x R$ 118ap, com ágio EU adicional de +R$ 2/@ e negócios pontuais com prazo menor de 30d para as referências a prazo citadas.

De fato, o melhor preço apontado pelo relatório de preços regionais CEPEA é o R$ 120ap, que mantém a distância para os R$ 130, melhor preço de SP (ap).

O “DIA D DAS ESCALAS”, diferentemente de SP, manteve-se como QUINTA, porém da mesma forma que SP, com clara tendência de ociosidade de abate em queda.

Com isto, houve finalmente uma tendência de diminuição do diferencial de base GO x SP, que nesta semana, saiu dos -11% e chegou a -9,3%. Vamos ver se a tendência se consolida nos próximos pregões. Já o diferencial de vaca GO x boi GO pela primeira vez após várias semanas, começa a aumentar, chegando a -8% de média semanal. Seria um possível indício de aumento de vacas em oferta?? Olho atento aqui!

Deixamos então o BEEFRADAR em: “estabilidade(55%)/alta leve (45%)”.

 

3)      HORA DO QUILO: analistas do Ministério da Fazenda já trabalham com a hipótese de a inflação estar acima das previsões iniciais de 5,86% para o ano. Ocorre que era esperado para jan-mar um índice menos alto, o qual não se concretizou em função dos alimentos… Hum… E já falam em projeções acima dos 6% para o ano, mais precisamente 6,11%…. Pipocam nos jornais de TV matérias sobre preço alto para a carne vermelha. E não é só na mídia de TV, nos jornais também. Até o “Front” apareceu numa matéria do Estadão, veja o link:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,efeito-seca-agora-vai-pressionar-o-preco-da-carne,1138769,0.htm

 

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. Como está ocorrendo a semanas, novamente tudo nas máximas…

  1. Maior preço nominal da arroba da história em SP: R$ 126,76/@ à vista (base indicador BMF), em 21/mar;
  2. Maior preço nominal da arroba da história em GO: R$ 117,44/@ à vista (base preços regionais CEPEA), em 21/mar;
  3. Maior preço nominal do bezerro da história no MS: R$ 994,46/@ à vista (base indicador BMF), em 21/mar;
  4. Maior preço nominal do bezerro da história em GO: R$ 1.000,00/@ à vista (base preços regionais CEPEA), em 21/mar;
  5. Maior preço nominal da carne (atacado) da história em SP: R$ 8,32/kg de carcaça casada (base preços regionais CEPEA), em 18/mar;

4.2. Movimento novo no mercado (1)

Pela primeira vez após muitas semanas, vimos que o padrão de escala, em linhas gerais, se alterou, ou seja, as escalas que eram “homogeneamente zeradas”, passaram para “heterogêneas e em ascenção”.

Aquele velho e bom termômetro da oferta, o telefone de frigorífico voltou a tocar e com força. Teve comprador de boi que queria ganhar R$ 1 por cada ligação que recebeu esta sexta para equilibrar a vida…

Esta oferta em nível melhor contribui para a diminuição da osciosidade das linhas de abate vista nas últimas semanas e ajuda a recompor o estoque de carnes. Por isto, torna o movimento um tanto preocupante, caso ele se confirme novamente esta semana, porque pode dar espaço a tentativas de recuo por parte das indústrias no curto prazo. Nada de “desmantelo” no preço, mas R$ 1/@ para baixo é mais possível de ser tentado com êxito agora, do que era a semanas.

4.3. Movimento novo no mercado (2)

A carne perdeu sustentação de preço à partir de terça, dia 18/mar. Mais uma preocupação para os frigoríficos que já estavam com as suas margens debilitadas pela ociosidade e agora tem que lidar com queda nas cotações do atacado.

Agentes relatam dificuldades de venda, sobretudo de carne desossada e receiam que o mercado interno esteja “perdendo força”. Resta saber se é mudança de tendência, ou efeito de estarmos no meio do mês.

Apareceram até rumores sobre queda nos volumes embarcados para o exterior, o que precisa ainda ser confirmado. O fato é que o boi de R$ 130,00/@ deixa as margens para a exportação mais estreitas mesmo, justamente no mesmo momento em que o dólar deu uma recuada, contribuindo para dar uma complicada para a indústria de abate.

Outro fator que contribui para um possível retrocesso da carne é a recomposição dos estoques, devido a menor ociosidade do uso da linha de abate.

Na semana passada relatamos nosso espanto com o binômio “pasto precisando de alívio + preço em alta”, pois ele tem profundo poder de aumentar as ofertas. Isto não estava ocorrendo até então, mas parece que agora, “o boi pode querer sair do buraco de tatu” que ele se meteu e se escondeu nessa safra até então…

Este sinal amarelo ascendeu forte no console central do painel de instrumentos do nosso Airbus. E qual a instrução, piloto? Sem querer ser repetitivo, mas já sendo, a melhor instrução que podemos dar é a venda compassada, usando as várias modalidades de vendas que o mercado te oferece, quer seja junto ao frigo ou a BMF.

Até o próximo texto, se assim Deus permitir…

rodrigo albuquerque
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