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Atualizado em 10/03/2014 às 11:11

NOTÍCIAS DO FRONT - "2014: O ANO EM QUE O BOI NÃO TERÁ SAFRA??"

Por Rodrigo Albuquerque em 10 de março de 2014


NOTÍCIAS DO FRONT

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita

por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #105, de 09/MAR/14 a 15/MAR/14)

 

 Ao nosso abnegado e destemido “exército de iguais”,

 

Semaninha curta, não é mesmo? Curta, hein?? Feriado só para quem trabalha na cidade grande, a maioria do povo, por sinal. Para a gente, que é “da roça”, foi muito produtiva.  Finalizamos a pesagem de todo o gado da safra 2013/2014, com a finalidade de saber o resultado de ganho de peso da primeira etapa do programa de engorda deste ano e também redefinir as vendas de gado gordo até o final do ano. E tudo bem perto da família, o melhor.

Só um dedinho de prosa… Muito bom investir em identificação eletrônica e software de controle zootécnico. Antigamente, papel e caneta deixavam a análise de dados de peso uma tarefa difícil. Hoje, com as ferramentas citadas, processamos, sem brete pneumático, quase 200bois/hora e saímos do curral com tudo pronto para analisar o que houve. Fundamental na tomada de decisão.

Voltando ao texto, acabamos de passar pelo “filet mignon” da nossa produção 13/14, ou seja, o período em que os animais mais ganham peso a pasto, que vai do início de novembro até o final de fevereiro. É o pico da maior safra do Brasil, que é a safra de pasto. Hora que chove muito e tem pasto de extrema qualidade. Ué? Chove muito? Era para ser… Então teve problema com chuva… Quem roubou a chuva? Será que foi “o mesmo meliante” que roubou a safra de bois de maio? Vamos investigar abaixo!

 

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Fechamos a sétima semana seguida de alta do indicador Esalq/BMF, que reflete o mercado físico de SP. O referencial saiu de R$ 120,43 av (variando de R$ 118 a R$122) e foi para R$ 120,90 av (variando de R$ 119 a R$123).

Com relação ao “DIA D DAS ESCALAS”, por ora nada de alteração, pois elas situam-se entre o dia 13 a 17/mar, sendo que a maioria das indústrias tem espaço ainda para a quinta. Desta forma, mantemos a QUINTA, assim como era na semana passada.

Correção para cima também foi vista no MS, onde os preços estão entre o R$ 116av até o R$ 117ap. A especulação sobre o R$ 118 para boi EU, mas ainda não confirmado. Idem SP em termos de escala.

Mantemos o BEEFRADAR em: “estabilidade(50%)/alta leve (50%)”, pois completamos a 7ª semana seguida de alta da arroba em SP.

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Houve melhora de “mais um golinho” de R$1/@ no boi do GO, pois saímos de R$ 107av x R$ 109ap e chegamos em R$ 108av x R$ 110ap, com ágio EU adicional de +R$ 2/@. O melhor preço apontado pelo relatório de preços regionais CEPEA é o R$ 112ap.

DIA D DAS ESCALAS é a QUINTA, dia 13/mar também, só com uma diferença frente a SP: aqui as indústrias tem espaço nas escalas entre a quarta (12) e no máximo para o sábado (15).

Um alento: o diferencial de base do boi de GO x SP que estava estabilizado em -R$ 12/@ fechou a sexta em -10,80%. Vamos ver se foi uma variação pontual, ou apenas reflexo de uma semana mais curta. Já o diferencial de vaca GO x boi GO segue estável em -7%.

Matemos o BEEFRADAR em: “estabilidade(50%)/alta leve (50%)”.

 

 

3)      HORA DO QUILO: escrevi que a semana de quem trabalha no campo foi bem produtiva. E olha o que eu achei no Estadão para corroborar a opinião:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,safra-no-carnaval,1137068,0.htm

 

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. A semana dourada continou…

O impacto da falta de bois para a safra de pasto chegou ao seu ápice. Nos últimos 6 pregões atingimos:

  1. Maior preço nominal da arroba da história em SP: R$ 120,90/@ à vista (base indicador BMF), em 07/mar;
  2. Maior preço nominal da arroba da história em GO: R$ 110,08/@ à vista (base preços regionais CEPEA), em 07/mar;
  3. Maior preço nominal do bezerro da história no MS: R$ 919,12/@ à vista (base indicador BMF), em 27/fev;
  4. Maior preço nominal do bezerro da história em GO: R$ 881,10/@ à vista (base preços regionais CEPEA), em 26/fev;
  5. Maior preço nominal da carne (atacado) da história em SP: R$ 7,97/kg de carcaça casada (base preços regionais CEPEA), em 07/mar;
  6. Maior margem da indústria frigorífica dos últimos 5 meses (base Scot Consultoria);

4.2. A notícia que foi antecipada aqui…

Em 16/fev, escrevemos: “antecipação de bois em confinamento: … pode haver uma revoada de bois para dentro dos confinamentos de primeiro giro”. Vejam, saiu no Globo Rural de 09/mar:http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-rural/t/edicoes/v/estiagem-e-alto-preco-provocam-aumento-na-procura-por-confinamento-de-gado/3198682/

4.3. Pecuaristas e frigoríficos do mesmo lado

Para quem leu o texto da semana passada vai esta: houve uma mudança no boi D.C. Vamos explicar: o boi D.C. é o “boi depois do Carnaval”. Na quinta, houve uma melhora de oferta muito consistente, a qual ainda não é a certeza de que o mercado vai virar. Pode ser um represamento em função dos feriados.

E isto ainda nem deu condições de frigorífico tentar fazer pressão no bovino, muito pelo contrário, o mercado é muito, mas muito firme, visto os recordes acima listados. Mas devemos ficar atentos, pois no passado recente poucas vezes o mercado subiu por mais do que sete semanas seguidas. E estamos na sétima semana…

Até agora, e já a muitos meses atrás, todos os pecuaristas (de cria, recria e engorda) estão vendo suas margens brutas melhorarem. Todos os produtos vendidos pelos criadores estão em alta, quer seja o bezerro, o garrote, o boi magro ou o boi gordo.

Da mesma forma, o frigorífico, pois o preço da carne no atacado (principal produto vendido pelo frigorífico) está também na sua máxima histórica.

Muito tem se falado sobre o mercado de reposição como sendo o ditador dos rumos do preço da arroba do gado gordo neste ano. Certamente, ele tem um papel muito importante e faz uma pressão grande no sentido de preços mais altos para a arroba.

Mas sugerimos muita atenção com os dois elos da cadeia da carne pressionados neste momento: o varejo e o consumidor. Sim, estes dois. Os demais, a saber, pecuaristas e frigoríficos, estão do outro lado, com margens brutas em ascenção.

Os varejistas já estão apreensivos para a reposição dos estoques, sobretudo porque a carne sem osso está com dificuldades de vendas. O consumidor deve se posicionar em breve sobre a alta de 8,19% nos cortes de carne dos últimos 12m (mar14 x mar13), acima, portanto da inflação…

O fato é, enquanto isto, o mercado perdeu as suas bases históricas para a precificação da arroba. O contrato de maio/14 da bolsa está em linha com o preço atual do mercado físico de SP (indicador a R$ 120,90 e contrato futuro maio R$ 120,75). Isto não é uma situação normal, pois o mercado normalmente precifica o mês de maio com uma baixa (grande ou pequena, mas sempre uma baixa), afinal de contas é o ápice da entrega de bois de pasto, que este ano pode culminar com uma safra de bois confinados antecipada. A falta de pasto está fazendo efeitos em termos de oferta restrita no curto prazo e estes estão sendo captados pelo mercado futuro.

Resta saber se são captados pelos agentes da BMF com euforia ou não… E resta saber qual a resposta que o consumidor dará. Não é totalmente improvável estarmos perto de um limite de preços, ou seja, de uma resistência para que este nível de alta seja testado.

Até o próximo texto, se assim Deus permitir…

 "publicado também em www.beefpoint.com.br"

rodrigo albuquerque
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