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Atualizado em 25/02/2014 às 10:10

NOTÍCIAS DO FRONT - "Qual o paradeiro do boi de fevereiro? "

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita por quem a vive e precisa de repostas imediatas (Edição de 13/fev/14 a 01/mar/14)


 Ao Front que lida com o bovino,

“Quem mexeu no meu queijo?” Esta deve ser a pergunta que os frigoríficos estão fazendo a si mesmos. Mexeram no “queijo” deles, que no caso é o bovino. Para onde foi o boi do mês de fevereiro? Lembram-se do “primo rico”? O sumiço do boi de fevereiro pode ser uma de suas primeiras “façanhas”… Vamos tentar elucidar abaixo.

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Tinha melhorado um pouco o “aperto” de quem compra boi gordo na semana passada, mas nesta, voltou a complicar, pois o DIA D DAS ESCALAS saiu de sexta e voltou a ser a QUARTA-FEIRA, dia 26/fev.

Não veio mesmo a enxurrada de boi, mesmo com o preço de R$ 120/@. Tanto é verdade que a “vedete dos preços” agora é o R$ 122/@ av, ainda que bem pontual. No mercado físico, o índice Esalq/BMF saiu de R$ 118,27 av (variando de R$ 116 a R$120) e chegou em R$ 119,28 av (variando de R$ 116 a R$122) nesta semana.

No nosso querido MS (berço do meu DNA), nada de novo, fora as escalas, que seguem SP, pois os preços continuam entre o R$ 110 av até R$ 112av.

Em ambos estados, o prêmio para o boi EU fica em aproximadamente +R$ 2/@.

Segue inalterado o Beefradar: “estabilidade(45%)/alta leve (55%)”.

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Na semana passada falamos que as escalas em GO estavam, na média, mais apertadas que as de SP e isto deu algum reflexo em preço por aqui. Tínhamos cravado: “há espaço para o preço de GO melhorar”. E foi de fato o que ocorreu!

Saímos da referência de R$ 104av x R$ 106ap, e chegamos em R$ 105av x R$ 107ap, com ágio EU adicional de +R$ 2/@ e sobre preço de até R$ 1 nas condições acima (o melhor preço do estado no relatório do CEPEA subiu para o R$ 110ap). O DIA D DAS ESCALAS também é aQUARTA-FEIRA, dia 26/fev.

Quem não muda o rumo mesmo é o diferencial de base do boi de GO x SP que continua perto de -R$ 12/@.

Como ainda não há vacas para valer nas escalas, o diferencial de vaca GO x boi GO seguiu estável, perto dos -7%.

Deixamos o beefradar em: “estabilidade(45%)/alta leve (55%)”.

3)      HORA DO QUILO:

Muito interessante o link abaixo. Qualquer semelhança com o bovino pode não ser mera coincidência… Escutem:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/mauro-halfeld/2014/02/17/COMPRAR-IMOVEL-PARA-RENDA-HOJE-E-ARRISCADO.htm

Será que “desta vez será diferente” no bovino? Imóveis e commodities podem ter mais coisa em comum do que podemos imaginar…

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. Banalizaram a quebra dos recordes nominais da arroba

De fato, tal como foi escrito aqui, não aconteceu a terceira semana ininterrupta de pregões com recorde nominal da arroba. Esta semana, após 10d quebras seguidas de recorde nominal de preço, houve alguma instabilidade no indicador. Mesmo assim, houve fatos marcantes:

- novo recorde nominal da arroba (SP): R$ 119,28/@ av (21/fev) e R$ 120,46/@ ap (17/fev)

- novo recorde nominal do bezerro (MS): R$ 901,55/cab av (21/fev)

Houve tantas quebras de recorde, que, erroneamente, nem damos mais importância para isto…

4.2. Vem aí o feriado de “Carneval”

Por nada mais do que R$ 0,05/kg nesta sexta o recorde da carne não caiu. O kg da carcaça casada foi cotado a R$ 7,84/kg no dia 21/fev, sendo o recorde nominal de R$ 7,89/kg de 06/jan/14. Tudo nas máximas, carne, boi e reposição.

E não se esqueçam, vem aí o feriado de “Carneval” na semana que vem. Frigorífico vai vender o que tem e o que não tem, pois anda pulando abate e seus estoques estão baixos… Quem não gosta de queimar uma “carninha” no “Carneval”? Não é hora de a carne baixar agora! E consequentemente, advinha…

4.3. Qual o nome do “primo rico” que está na nossa festa? Ele foi embora?

Semana passada listamos 7 façanhas que o “primo rico” (o clima anormal de 2014), poderia fazer na nossa festa (preços da arroba). Nos esquecemos de apresentá-lo apropriadamente… O nome do “primo rico” é Pedro, ou melhor, “São Pedro”…

Antes de continuar a nossa análise, alguns acham que o “Pedrão” já está indo embora da festa porque as chuvas da segunda quinzena de fevereiro deram uma boa e bem vinda melhorada. De fato, melhorou muito, mas a conta do “Pedrão” ainda está bem negativa. Nas Fazendas que administramos, apesar de terem caído 170mm em 9 dias ininterruptos, elevando a média de precipitação do mês para um percentual 3% acima da média esperada para fev dos últimos 7 anos, quando consideramos a chuva acumulada de nov/13 a fev/14, que é a responsável pela safra de pasto dos bois de agora, vemos que falta 23% de volume de precipitação.

Ou seja, de cada 4 pingos que caíram nas últimas 7 safras de boi, o “Pedrão” está nos devendo um… É muito! E isto tem seus impactos num país que 85% da produção de carne vem de pasto. O pasto já perdeu o compasso da safra. Para que recuperemos o volume da “chuva safra” normal (chuva nov/14-mar/14), teríamos que ter 510mm de 20/fev até 31/mar… Difícil isto acontecer. E abril é o mês em que o nosso primo Pedrão normalmente começa a se retirar de cena…

Portanto, o primo está na festa e “na ativa”, fortemente. E para nós, o “pau que o bovino está dando nas escalas”, é de responsabilidade dele, do “Pedrão”! Explico melhor: a falta de boi em fevereiro é monstra. Tem frigorífico abatendo com 50 a 70% da capacidade e até pulando abates a dias. É o “fevereiro negro” das escalas. O motivador disto foi a falta de chuva do final de dezembro até 15/fev. Houve certamente em função disto:

- antecipação de abates: jan/14 foi recorde de abates de bovinos no País, vide dados do IMEA/MT. E para piorar, com pouca quantidade de vacas no abate, em função do abate de fêmeas altíssimo de 2013. Nós mesmos, fizemos isto nas Fazendas que administramos, aumentando a programação de abates do início do ano em 43%, antecipando bois de fev/mar, para aliviar as pastagens;

- postergação de abates: os animais que não foram abatidos antecipadamente, ficarão postergados, em função do “baque” dos pastos;

Desta forma, houve um “buraco” em fevereiro, e a indústria está sentido isto na pele, complicando mais ainda porque a exportação/mercado interno vem muito bem. As inimagináveis semanas a fio de quebras de recorde nominal da arroba não são à toa… Nem a “puxada do mercado futuro” para os meses de maio14 e out14… Banalizamos isto, mas os fatos são muito fortes.

Em função dos fatos acima, estamos prevendo (fato também já citado no texto passado), uma antecipação de bois de confinamento de primeiro giro, o que pode levar a vermos um acúmulo de oferta de abril em diante (entre maio e julho, mais precisamente junho ou julho, cremos), coincidindo a “soca de bois de pasto” com a saída do primeiro giro do cocho…

Paralelamente a tudo isto, estamos vendo de maneira consistente outros fatos que tem também o “dedo do Pedrão”:

- alta de milho na bolsa de futuros (também discorrido aqui na semana passada)

- queda dos preços futuros do boi na BMF, mais precisamente de maio (safra) e out (entressafra). Os preços caíram R$ 3/@ nesta semana, trazendo o maio de R$ 120 para R$ 117 e o out de R$ 127 para R$ 124, a grosso modo. Em parte, isto é bom, pois a realização dá sustentabilidade no movimento de alta. E a BMF tem as razões particulares dela, afinal de contas, como já dizia o Romário, “jogo é jogo e treino é treino”. Ou seja, “bolsa é bolsa e físico é físico”…

O mercado é muito dinâmico… Impressionante. Nós mesmos pensamos ontem: e se o “Pedrão mandar chuva para valer” de agora em diante e a “negada” resolver não mais enviar bois para o primeiro giro, apostando numa provável melhora da capacidade de suporte dos pastos?

De toda forma, esta queda na BMF foi algo novo até então na bolsa em 2014. Nada que sinalize ainda uma pesada inversão de tendências, mas é um sinal que não deve ser desprezado. É como uma “fadiga de material”, mais um termo da aviação que trazemos para a lida bovina.

Afinal de contas, pior que não saber o “paradeiro do boi de fevereiro” é não saber o “paradeiro do seu dinheiro”, caso você perca bons níveis de preço para comercializar a sua produção!!!

Bom “Carneval” e até o próximo texto, se assim Deus permitir…

 
rodrigo albuquerque
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