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Atualizado em 14/02/2014 às 09:09

NOTÍCIAS DO FRONT - "O primo rico chegou para a festa da arroba"

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita por quem a vive e precisa de repostas imediatas (Edição de 09/fev/14 a 15/fev/14)


 Aos que carregam o piano da economia,

 

Imaginem uma festa que começou já muito animada com todos os principais convidados da família “num clima para lá de alegre”… Foi, convidado apenas por educação, o primo milionário da família que, por morar em Miami, não era realmente aguardado. Mas, ele decidiu vir de maneira surpresa e acaba de chegar à já animada festa. É isto que está acontecendo neste exato momento na festa do boi gordo, versão 2014. Vamos ver quem é este “primo” que veio para “bagunçar” ainda mais esta festa.

 

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

A falta de bois anunciada na semana passada se agravou de vez. As indústrias estão com escalas entre a próxima segunda (10/fev) e quarta (12/fev). Sim, isto mesmo, de 0 a 3d de escala.

Desta forma, o indicador cravou novo recorde final: o mercado físico Esalq/BMF saiu de R$ 115,06 av (variando de R$ 113 a R$117) e chegou em R$ 116,37 av (variando de R$ 113,50 a R$120) nesta semana.

No MS, houve uma alta, um pouco menor, e o mercado oferta agora de R$ 108av até R$ 110av, com escalas um pouco menos desesperadoras, entre 12 e 14 de fevereiro. De fato, o dia 12/fev é o padrão mais comum de escala para o Brasil.

Foram várias quebras de recorde nominal e uma alta na máxima de R$ 3/arroba, o que mostra que a indústria, quando está precisando de boi, tem “cartucho para queimar”. Um exemplo disto é o boi de R$ 120,00/@, que virou realidade, com negócios pontuais confirmados (apesar de que a maioria dos negócios ocorrem entre o R$ 116 av até R$ 119av). Na semana passada, o boi tinha “patrolado a placa” dos R$ 120 no mercado futuro (out/14) e nesta, atingiu a mesma marca, porém no físico.

O status do BEEFRADAR continua em: “estabilidade(35%)/alta leve (65%)”.

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Infelizmente, como tem sido desde 2013, a onda de alta de SP chegou aqui como uma marolinha e o cenário de preços do estado do pequi continua no R$ 103av x R$ 105ap, com ágio EU adicional de +R$ 2/@ e sobre preço de até R$ 1 nas condições acima . O melhor preço do estado no relatório do CEPEA baixou R$1 e agora aponta para o R$ 107ap.

Com isto, o diferencial de base do boi de GO x SP médio da semana atingiu -R$ 11,06/@. Será que caminhamos para um 2014 de diferencial mais aberto?

Já o diferencial de vaca GO x boi GO seguiu estável, entre -6% e -8%, pois o clima parece também dificultar um aumento mais rápido de vacas em escala.

Mantemos o BEEFRADAR em: “estabilidade(45%)/alta leve (55%)”.

 

3)      HORA DO QUILO:

Parece até má vontade nossa com o Mantega, mas a economia interna nossa não para de nos “brindar” com péssimas notícias: nossa indústria vive o pior desempenho desde a era Collor. Veja em:

http://achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/2014/02/04/industria-no-governo-dilma-tem-pior-desempenho-desde-collor/

 

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. O futuro decolou e o físico idem

Na semana passada chamamos atenção ao fato de que o mercado futuro tinha subido R$1/dia, nos cinco dias de pregão da bolsa. Este fato é muito, mas muito raro mesmo.

Outro fato muito raro aconteceu no mercado, mas desta vez no físico: em todos os cinco pregões da semana o indicador quebrou a marca recorde nominal da história da arroba. Muito difícil isto acontecer de novo… Ou acontecerá na próxima?

4.2. Arroba subindo, margem de frigorífico caindo…

Pensamento lógico, né? Mas, errado. Nos últimos 10d de mercado o preço da carne no atacado subiu R$ 5/@, enquanto que a arroba subiu pouco mais de R$ 2/@. Ou seja, mesmo com esta sequência de recordes do físico (e o emblemático R$ 120/@), a margem da indústria aumentou.

4.3. Quem será a próxima vítima?

Falamos que o R$ 120/@ já tinha sido alcançado pelo boi no mercado futuro no texto anterior. Nesta semana, foi a vez do mercado físico à vista de SP bater esta marca. Fica a pergunta: quem será a próxima marca a ser “patrolada”?

Para mim, a próxima marca importante para o bovino é o R$ 130,00/@, faltando apenas R$ 7,50/@ para o preço futuro do mês de outubro chegar lá.

Mas, sem dúvida nenhuma, o inimigo a ser batido é o R$ 140/@. Neste patamar é que repousam três indicadores do preço da arroba do boi:

- o preço de nov/2010 deflacionado (não direi que o boi está em alta até atingir o preço que ele tinha em nov/2010, atualizado)

- a arrobado bezerro (físico do animal de reposição já está nesta marca, até um pouco acima)

- se o nosso atual ciclo pecuário seguisse a dinâmica de preços do ciclo pecuário anterior já estaria em R$ 140,00/@, como muito bem demonstrou o Rogério Goulart na Carta Pecuária da semana passada.

Quando esta marca será batida, eu não sei, mas é ela que está na mira do Front.

4.4. O primo rico chegou de “camaro amarelo”

E a festa da arroba? Começou animada… E para completar a animação, chegou mais um convidado que não era esperado, o clima, deixando as médias das precipitações nas menores marcas das últimas décadas e as temperaturas nas maiores da história (vide os 35,2ºC de Curitiba e os mais de 40ºC de Porto Alegre, ou melhor, “Forno Alegre”). Sinal cada vez mais evidente que “Deus perdoa, mas a natureza jamais”.

Fora o calor, a falta de chuva e o racionamento de água/energia que já ocorrem, o que o “primo do Camaro” poderia trazer de consequência? Vejamos:

mercado de reposição: pode haver mais fraqueza por parte de quem vende neste mercado, em algumas regiões, pois, via de regra, a recria não costuma ser TOP na arte da pastagem. Nada que nos sinalize que o mercado de reposição fique frouxo, mas tenho certeza de que muitos vendedores de garrote terão mais dificuldade na condução do rebanho;

mercado de grãos: apesar de termos um viés internacional balizador de milho e soja mais tranquilo, em função de termos estoques globais em níveis bons com a entrada desta última safra do hemisfério norte e do sul, poderemos ter uma pressão interna pontual de alta, principalmente para a safrinha de milho, o que colocaria “mais lenha ainda na fogueira da arroba da entressafra”, pois isto pode impactar as diárias que ainda não são conhecidas para o 2º giro (em GO já há perdas de 15 a 30% reportadas);

mercado de gado gordo: o que já ocorreu nas pastagens em boa parte dos principais corredores pecuários do País em função da falta de chuva, comprometeu as pastagens de modo alguma boa perspectiva de boi de pasto somente para maio, isto ainda assim, dependendo das chuvas daqui para frente. Realmente nos chama muito a atenção a falta de animais gordos agora, pois se eles estivesse sendo represados, o binômio “preço alto + pasto precisando de alívio” costuma abarrotar de boi as escalas. E nem assim isto está ocorrendo, deixando ainda mais sombrias as perspectivas para a oferta no curto/médio prazo. Além, disto, não houve melhora de oferta na última pressão de baixa, três semanas atrás. Concluindo, o primo deixará, muito provavelmente, as coisas mais difíceis com relação à oferta de bois.

mercado de confinamento: nada é 100% bom ou 100% ruim. Desta forma, o clima pode levar a uma antecipação de bois para o confinamento de 1º giro de 2014, levando a uma possível melhora de oferta de bois para maio/junho, coincidindo com um “restinho” de pasto. Mas, depois, o “bicho pega”… Em outras palavras, no todo, ele deve piorar oferta (90% do gado gordo vem de pasto), mas pontualmente, pode melhorar ela em maio…

Resumindo, a festa que já estava boa, deve melhorar ainda mais. Agora, repito novamente o nosso conselho, enquanto esperamos os R$ 140/@, pois otimismo demais não combina com o boi gordo, historicamente falando.

Em tempos de otimismo, a intenção de se confinar boi aumenta demais, às vezes, além da conta para a relação oferta x demanda. Desta forma, aqui vai, de novo: “saiba seus custos e a margem de lucro que quer para o seu negócio. Faça destas informações o cerne da decisão de suas vendas. E nunca se esqueça: a melhor hora de vender é na alta”.

Afinal de contas, a festa está boa, mas vai que “alguém resolve colocar água no nosso chopp”!

Até o próximo, se assim Deus permitir…

 
rodrigo albuquerque
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