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Atualizado em 04/02/2014 às 08:08

NOTÍCIAS DO FRONT - "O boi arremeteu. A arroba ficou “metidinha”."

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita por quem a vive e precisa de repostas imediatas (Edição de 02/fev/14 a 08/fev/14)


 Já “rompemos” o primeiro mês do ano e o mês de fevereiro dá o “ar da sua graça”… Daqui a pouco o nosso maior vexame, ops, o nosso maior evento, a Copa. Este ano vai “passar voando”… Por falar em voar, “voando” mesmo, está outro cidadão!

Imagine um jato que acabara de arremeter e você, um sinalizador de pista de aeroporto, ficar na outra cabeceira da pista sinalizando para o avião, através de uma placa, que a sua velocidade máxima deveria ser de 120 km/h. O que você acha que acontece com você e a placa? Vamos ver a seguir.

 

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Definitivamente, o padrão de escala mudou. Simplesmente, o boi sumiu. Isto fez o indicador do mercado físico Esalq/BMF sair de R$ 113,96 av (variando de R$ 112 a R$116) e chegar em R$ 115,06 av (variando de R$ 113 a R$117) nesta semana.

Enquanto isto, no MS, a arroba também está em alta com preços de R$ 109 av x R$ 110 ap e escalas ainda para dentro da semana. Em SP, as escalas estão entre a próxima segunda (03/fev) e a quinta (06/fev), e  ainda assim, com algumas indústrias “pulando” dias de abate.

Definitivamente o mercado deu uma “calcinada” na perna de baixa da arroba, e ainda por cima quebrou novamente o recorde nominal histórico da arroba, por duas vezes seguidas esta semana.

O status do BEEFRADAR vai para: “estabilidade(35%)/alta leve (65%)”.

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

De pouco a pouco, parece que a coisa vai ficando um pouco menos fácil para se comprar boi gordo em GO também, de modo que tem frigorífico ainda sem fechar a semana de abates que se inicia.

Consequentemente, do meio para o final da semana passada, voltaram a ser vistos os preços deR$ 104av x R$ 106ap, com ágio EU adicional de +R$1 ou 2/@. O melhor preço do estado no relatório do CEPEA voltou a ser o R$ 108ap.

Mesmo assim, o diferencial de base do boi de GO x SP “girou” a semana toda no nível de -R$ 10,50/@, pois não conseguiu acompanhar a alta do físico de SP. Enquanto isto, o diferencial de vaca GO x boi GO continua a mergulhar, já próximo de -8%, refletindo o aumento de oferta de fêmeas nas escalas.

O BEEFRADAR fica em: “estabilidade(45%)/alta leve (55%)”.

 

3)      HORA DO QUILO:

Mais uma em relação ao emprego: saiu esta semana o índice do IBGE cravando uma nova marca histórica de desemprego baixo: 5,4%. É o que me disse um amigo: contratou um vaqueiro e depois de gastar com a mudança do cidadão para a Fazenda, o camarada lhe disse que não andava a cavalo, pois “é perigoso”. A coisa está feia mesmo: agora tem que perguntar para vaqueiro se ele anda a cavalo, antes de contratar o “Dr”… O único lado bom disto, é que desemprego baixo com aumento de renda significa mercado interno consumidor (de carne) forte.

 

 

4)      O LADO “B” DO BOI:

 

4.1. O físico arremeteu. E o futuro decolou

Os balizadores da safra (contrato futuro da BMF para o mês de maio) e da entressafra (contrato futuro do boi do mês de outubro) foram na base da alta de R$ 1/dia a semana passada inteira. Fato muito raro mesmo!

Para se ter ideia do otimismo do mercado, a bolsa projeta que o maio fechará em linha com o preço de hoje, na verdade um pouco acima (R$ 115,30), indicando que o recorde nominal da arroba será quebrado novamente.

E mesmo com um comportamento de safra “fora da curva”, ainda joga mais 5% de alta para a entressafra, colocando o outubro em aproximadamente (R$ 121,30/@ em SP).

4.2. O quinteto mágico da semana

Estes cinco “indivíduos” deram sinais de alta forte na semana, e são “escoras” para a arroba, vejam:

1. Exportação (fechamos com crescimento de 13% em jan/14, frente ao ano passado). Segundo o Maurício de Palma Nogueira da Agroconsult, em excelente palestra realizada neste sábado na Fazenda Conforto em GO, teremos algo como 13% de incremento de exportações este ano. Além disto, paira no mercado com cada vez mais certeza a volta do Irã, de maneira forte às compras e também cada vez mais rumores de uma possível abertura do mercado americano para carne in natura brasileira (EUA aliás que teve ratificado o seu retorno aos níveis normais de crescimento da economia, com o anúncio do crescimento de 1,9% do PIB em 2013);

2. Dólar (atingiu o valor mais alto em 5 meses);

3. Preço da safra e da entressafra (como dito acima);

4. Indicador (mesmo tendo passado recentemente pelo rompimento de uma marca histórica, que foi o preço de R$ 115,01/@ em 03/jan, e normalmente haver uma queda consistente após eventos como este, desta vez foi diferente. Menos de 20d de mercado depois disto, novamente tivemos mais dois rompimentos de recordes nominais. Isto não é um fato qualquer, definitivamente. Isto não pode ser desconsiderado de uma análise mais ponderada;

5. Reposição: está com preços muito fortes, fortes mesmo. Em GO, p.ex., estamos com a cotação do bezerro, pelo relatório de preços regionais do CEPEA no seu maior valor histórico (R$ 860,00/cab). Vi um leilão em Nova Crixás-GO (“a terra do boi bom”) na última sexta em que os bezerros saíram por um valor de arroba com ágio de 40 a 50% em relação a arroba do boi gordo;

4.3. Ensinamentos do Maurício…

Como dissemos, ele nos brindou com uma excelente palestra de mercado no evento da Fazenda Conforto, neste final de semana em Nova Crixás-GO. Destacamos de sua palestra mais alguns pontos:

- além do incremento das exportações do Brasil, a Agroconsult prevê queda de 1 e 6,5% nas exportações de EUA e Austrália, respectivamente;

- Agroconsult trabalha com incremento de 14% em relação aos preços da arroba em 2014, frente a 2013;

- Má notícia para MG e GO: previsão de diferencial de base mais aberto;

- Boa notícia para TO, RO, PA e RS: previsão de diferencial de base mais estreito;

4.4. A pedra cantada

O nosso último parágrafo da semana passada continha a frase: “o produtor tem um aliado no curto prazo, a carne… Sim, a carne. Explico melhor: será começo de mês e volta às aulas. Se estes fatos levarem a carne a interromper a sua queda, a “natimorta” tentativa de baixa da arroba terá sucumbido mesmo!! Por isto acreditamos que o boi só escorregou. Começou a cair, mas arremeteu!”

E foi exatamente o que realmente aconteceu da última quarta-feira para frente. O atacado da carne arrancou o equivalente a R$4/@ em três dias, “calcinando” a tentativa de baixa. E isto foi o gatilho, como havíamos falado. Em seguida, a arroba disparou, levando o indicador a novamente romper o pico histórico nominal, confirmando que o boi arremeteu mesmo e com isto deixou a arroba bem “metidinha” no mercado, ou seja, ignorando que havia acabado de estabelecer um pico e já reescreveu novamente a história, cravando outro pico mais alto.

Lembra-se do sinalizador de pista de aeroporto com a plaquinha de 120km/h? Pois bem, o bovino fez igual ao jato, “patrolou” o sinalizador com placa e tudo, batendo os R$ 120/@ para o contrato futuro de outubro/14.

Neste cenário, cuidado para a alegria não se transformar em euforia e consequentemente em desordem. Ninguém sabe até onde vai o mercado. Nem você. Nem eu. Nem a Mãe Dinah.

Portanto, saiba seus custos e a margem de lucro que quer para o seu negócio. Faça destas informações o cerne da decisão de suas vendas. E nunca se esqueça: a melhor hora de vender é na alta.

Até o próximo, se assim Deus permitir…

rodrigo albuquerque
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