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Atualizado em 13/01/2014 às 08:08

NOTÍCIAS DO FRONT - "2014: DESCOLAMENTO DAS PERSPECTIVAS DO BOI GORDO x PERSPECTIVAS DA ECONOMIA"

 Por  em 12 de janeiro de 2014

NOTÍCIAS DO FRONT

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazos, escrita

por quem a vive e precisa de repostas imediatas (Edição de 12/JAN/14 a 18/JAN/14)

 

Companheiros de farda do exército do Front,

 

Esta é a nossa primeira missiva eletrônica de 2014 após um final de ano memorável para o bovino, para o Patrão e para o peão. Todo mundo ficou feliz. Começamos o ano com um fato intrigante: seria o boi um sujeito “descolado” da economia?

Para os jovens, o termo “descolado” é usado para quem tem o seu estilo próprio, é independente e tido como bacana pelos demais. Para os economistas, o termo é usado quando algo na economia caminha de maneira separada e independente de um dado fator.

Vamos ver porque estamos nos referindo a este termo, logo abaixo.

 

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Começamos a semana passada com o maior preço nominal da @ da história, que foi o indicador Esalq/BMF de R$ 115,01 av (variando de R$ 112,50 a R$ 117,00), de 03/jan/14 (guarde esta data e este valor, são parte de nossa história).

Pois bem… Terminamos a semana com R$ 113,99 av (variação de R$ 112,50 a R$ 116), queda de R$1/@, evidenciada pela queda da máxima.

Esta redução, pequena ainda, tornou-se possível em função das escalas terem andado melhor, com o aumento de oferta, visto entre terça e quinta passadas. As escalas estão na sua maioria prontas para a semana que se inicia, sendo que apenas pontualmente algumas indústrias estão ainda para dentro da semana (17 ou 18), mas “o grosso” está entre 20 a 21/jan.

No MS, vemos algo parecido em termos de escala e preços na faixa de R$ 105 a R$ 107 av.

Abrimos, portanto, a primeira semana de queda do ano, após o recorde de 9 semanas de alta do final de 2013 e deixamos o status do BEEFRADAR em: “estabilidade(55%)/queda leve (45%)”.

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Aqui “no GO”, as escalas estão um pouco mais apertadas, com um percentual maior de indústrias que não completaram a semana que vem, mas nada de assustar, pois tem várias empresas entre os dias 17 a 21/jan, em termos de escala.

Os “preços balcão” estão entre o R$ 104av x R$ 106ap, com ágio EU adicional de +R$1 a 2/@, sendo não muito raro encontrar negócios especiais até R$2/@ acima desta referência. O relatório dos preços regionais do CEPEA aponta preços máximos av entre R$ 106 a R$ 108/@ (Goiânia e Norte de GO).

O diferencial de base do boi de GO x SP está em R$ -8,50/@ e o diferencial de vaca GO x boi GO já começa a abrir, ficando em -6,5%.

Neste cenário, deixamos o status do BEEFRADAR em: “estabilidade(55%)/queda leve (45%)”.

 

3)      HORA DO QUILO:

Já acompanhei o programa BBB, faz tempo que deixei de “perder meu tempo de vida”… Prevejo que o assunto “consumo de carne” vai fazer parte da edição de 2014. Uma daquelas “moças cheias de curvas” que vai estar no programa declarou que deixaria o namorado se ele comesse um sanduiche X-bacon, pois ela é vegana e obviamente, além de não comer carne, condena quem o faz. Vem chumbo grosso aí! Será que o Tony Ramos vai patrocinar o BBB?

 

4)      O LADO “B” DO BOI:

 

4.1. Os “grandes” números de 2013

- carne no atacado: iniciou o ano de 2013 dentro do intervalo de preços que vinha oscilando desde setembro de 2012 (entre R$ 6,20 e 6,65/kg). Ficou assim até setembro/2013, quando disparou, atingindo R$ 7,77 no último dia de 2013.  A média anual de 2013 de R$ 6,62/kg equivale a uma arroba de R$ 100,00 e foi em termos nominais 5,51% maior que a média de 2012 de R$ 6,27/kg;

- recorde da carne no atacado da história: 06/jan/14, em R$ 7,89/kg carcaça casada, ou aproximadamente R$ 118,35/@;

- boi gordo, av: iniciou o ano com R$ 97,17/@, quase o piso do ano, e se manteve perto deste preço médio até junho, quando subiu quase sem parar para respirar até dez/13, atingindo a média anual de R$ 102,64, que foi 8,29% nominalmente superior a 2012.

- recorde do boi gordo da história: 03/jan/14, em R$ 115,01/@, av;

4.2. Começamos a descer a ladeira?

Após 9 semanas de alta, outro recorde da história recente, é normal uma curva da arroba para baixo, que normalmente ocorre de dez para jan. Esta queda da @ está um pouco calcada na relativa melhora da oferta de bois, mas também pela consistente dificuldade de se manter a venda de carne nos patamares de final de dez/início de jan (patamares recordes).

Talvez, no curto prazo a carne esteja “pesando” mais que a oferta para a queda da arroba. Vamos acompanhar.

4.3. Quem não quer saber de ladeira de jeito nenhum?

Inflação. Esta não está nem aí. Fechou 2013 em 5,91%, que foi o índice de correção do IPCA divulgado nesta sexta. Isto porque o governo “anda maquiando” a coisa. Só para se ter ideia, os preços controlados pelo governo subiram 1% enquanto os livres de mercado quase 8%… O boi costuma acompanhar esta sua amiga, a inflação…

4.4. Nota de solidariedade

O pessoal do Espírito Santo foi castigado mesmo com a chuva. Hoje vi um índice de que me assustou. Choveram 1.000mm em 10d, mais que os 800mm dos últimos 11m anteriores ao período destes 10d (entre 15 e 25/dez/13). Muito gado morreu afogado. Triste!

Enquanto isto, estamos em jan (aqui em Jussara-GO), com quase 50% do mês e apenas 8,4% do esperado para o mês… Que coisa! Companheiros de alta lotação em pasto nas águas estão passando “aperto”.

4.5. Descolamento: boi x economia

O otimismo quanto ao bovino é grande. Externamente, tudo é dado como “líquido e certo”. Dólar mais valorizado na média de 2014, abertura de novos mercados, economias em recuperação, concorrentes em dificuldades, estimativas de receita e volumes exportados recordes, etc.

Internamente acredita-se que o binômio “copa+eleições” possa deixar as nuvens carregadas e muito pretas da economia longe o suficiente para não trazerem problemas para o nosso bovino. Até o mercado de ações está tentando antever e já imaginando uma pior rentabilidade dos frigoríficos que tem ações negociadas na BMF para 2014 ou 2015 por conta de uma maior dificuldade em aquisição de matéria prima, tornando mais alto o principal custo da indústria (que é a compra de animais para abate).

Uma pergunta que fica no ar? Se, a grosso modo, 80% da nossa carne é “comida por nós mesmos”, como ficar tão otimista assim com o boi gordo, vendo os seguintes comentários a respeito de nossa economia (acesse os 2 links, por favor e depois retome o texto):

http://g1.globo.com/globo-news/miriam-leitao/videos/t/todos-os-videos/v/especialistas-debatem-as-expectativas-macroecononicas-para-o-brasil-em-2014/3068864/

 

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2014/01/02/DILMA-E-TEIMOSA.htm

 

Já falamos aqui sobre incertezas quanto à oferta de bois para abate em 2014. A questão do ciclo pecuário vem bastante à tona agora (abate de fêmeas).

Tivemos sorte. No final deste ciclo pecuário, no momento em que ocorria o máximo abate de fêmeas (2013), a economia interna e externa nos blindou de termos preços piores, com seus respectivos desempenhos em recuperação de períodos econômicos piores.

Agora, tudo conspira e caminha para a reversão do ciclo pecuário, jogando para cima o preço do arroba, mas justamente neste momento, ouvimos os piores cenários em termos de previsões para a nossa macro-economia interna, que responde por 80% de nosso consumo.

A economia (interna e externa) que nos distanciou de preços baixos irá nos afastar dos mais altos possíveis? Será o bovino capaz de manter a sua cadeia imune a este mar de notícias e fatos ruins, caso tudo isto se concretize?

Neste cenário de incerteza, recomendamos duas coisas:

  1. Saber com detalhes seus custos de produção (estamos nesta empreita);
  2. Aproveitar as oportunidades de comercialização antecipada da produção que vem ocorrendo no mercado (via BMF), buscando fixar pelo menos parte da venda da produção, cobrindo no mínimo os custos, tal qual faz e nos ensina muito bem a agricultura (vide a soja e a sua tão conhecida comercialização de safra antecipada);

Afinal de contas, usando um jargão jovial, o boi pode até ser “bacana, mas não é tão descolado assim”…

 

Até o próximo, se assim Deus permitir…

rodrigo albuquerque
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