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Atualizado em 12/08/2013 às 11:11

NOTÍCIAS DO FRONT: “Quem é o Pai da Criança?” (Edição de 11/ago a 17/ago/13)

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazos, por quem a vive e precisa de repostas imediatas (Edição de 11/ago/13 a 17/ago/13)


 

NOTÍCIAS DO FRONT: “Quem é o Pai da Criança?” (Edição de 11/ago a 17/ago/13)

Por  em 11 de agosto de 2013

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazos,

por quem a vive e precisa de repostas imediatas (Edição de 11/ago/13 a 17/ago/13)

 

Aos comandantes do bovino brasileiro,

 

Esta semana aconteceu o que foi previsto aqui, ou seja, intensificação da queda da arroba. Mas o mercado está num momento interessante. Existe uma dicotomia de opiniões sobre o destino da arroba nos próximos meses.

Dicotomia? Segundo a Wikipedia, Dicotomia vem de “dicótomo … divisão em duas partes; classificação que se baseia na divisão e subdivisão sucessiva em dois”.

Vamos tentar esclarecer esta dicotomia bovina nos próximos parágrafos. Avante!

 

1)      Como está o nosso teto (SP/MS)?

Nesta semana, o bovino desceu mais um degrauzinho em temos de preço. Iniciamos a semana passada com a arroba paulista à vista em 101,68 (de R$ 101 a R$ 104) e fechamos a última sexta em R$ 100,93 (de R$ 99,50 a R$ 103,50).

Houve uma queda, mas não um derretimento, e assim, completamos a terceira semana seguida de queda da arroba.

O boi de R$ 104/@ é fato que não existe mais, afora negócios muito especiais. A arroba mais comum é de R$ 100 a R$ 102 av em SP.

As escalas continuaram caminhando bem, pois a maioria está com a semana que vem já completa. Mas também não dá para dizer que o movimento de aumento de escala está se intensificando. Está caminhando bem, mas não aumentando o ritmo de preenchimento dos dias de abate. O ritmo vem bem, está se mantendo. O MS vem na mesma linha.

Desta forma, mantemos o status do BEEFRADAR para: “estabilidade(15%)/queda leve a moderada(85%)”.

 

2)      E aqui, na terra do pequi?

O Cepea de Goiânia (que tem negócios de boi comum e EU, desta forma geralmente um pouco acima do mercado físico do boi comum), caiu de R$ 93,75av da semana passada para R$ 92,49av nesta última sexta.

Mas o que vemos no mercado físico de Goiânia é que o preço de R$ 91av x R$ 93ap (com ágio adicional de R$ 1/@ para o boi EU) está estabilizado à aproximadamente 15 dias.

De maneira idêntica à SP, as escalas da próxima semana estão resolvidas, com apenas algumas poucas indústrias precisando de boi para o final da semana. Sobre o ritmo de preenchimento das escalas, ele está bom, mas também não o vemos deslanchando avassaladoramente, ao menos por ora.

Desta forma, existe possibilidade deste “banho-maria” continuar e devagarzinho, a arroba vai sendo cozida, não derretida. Esta é a tendência para o curto prazo aqui. No final, cozinhando ou derretendo, vai contra o pecuarista!

Sobre a arroba da vaca, o deságio dela em relação ao boi segue o que já comentamos: deve diminuir. Já começa a “beirar” os 7%. Não há vacas em volume para abate. Fato!

E o diferencial de base desistiu de encurtar mais e se estabilizou em 8 a 8,5% com SP. Por ora, tende a ficar desta forma.

O status do BEEFRADAR mantem-se em: “estabilidade(15%)/queda leve a moderada(85%)”.

 

3)      Hora do quilo (para “refrescar a cuca”): está brigado com o seu filho/seu Pai? Esqueça, ligue para ele. Não vale a pena. A vida é muito curta. Dê o braço a torcer, se preciso for. Não custa nada. Você me agradecerá um dia.

4)      O que diz a nossa “bola de cristal”?

 

4.1. E cadê o chumbo grosso?

Semana passada falamos em “chumbo grosso”… Alguém por estar se perguntando: “Rodrigo, bom é fato que a direção do mercado foi para baixo, mas a queda da semana foi ‘só de aproximadamente R$ 0,70/@’, cadê o tal chumbo pesado?”.

A resposta para esta suposta pergunta é: quando falamos em chumbo pesado, estamos falando em oferta. Ela tende a se intensificar. Os confinamentos estão cheios, e iniciando o período de desova do primeiro giro. Apenas iniciando. Então, para aqueles que falam que as “ofertas estão curtas” e que isto poderia ser um sinal de força para o boi no curto prazo, eu interpreto isto como sinal de fraqueza… Porque se mesmo com “ofertas relativamente pequenas” o boi caiu, o que dirá quando a saída de bois de cocho se intensificar, fato que deve ocorrer à partir da semana do dia 19/ago…

Talvez haja realmente bastante chumbo no armamento inimigo, mas ele está sendo alvejado para cá aos poucos, ao menos por ora. Mas que está zunindo para cá, isto está. E talvez ainda com a pontaria “meio bamba”…

O que eu tenho certeza é que seremos mais alvejados nas próximas semanas, no tocante a oferta. Este é o chumbo que falamos.

Amigos nossos voaram por cima de 45 confinamentos esta semana e o resultado está no depoimento do @DiogoCastilho de agora a pouco no twitter (10/ago, 16:40h): “45 confinamentos em quatro estados cheios, muito semi de alto grão, norte bem seco e mais um frio forte, agosto sem solução!!!” É o Notícias do Front, diretamente da cabine de comando do avião bovino! Uma espécie de rota aérea da pecuária do Brasil. Algo totalmente inovador e que tem que ser parabenizado a quem pratica, o Diogo Castilho e o Ricardo Heise.

Outra coisa: experimentem contratar carretas de dois andares para transportar boi magro… Vocês verão o que é demanda superior a oferta…. Todas elas puxando boi magro para cocho… Tentem e entenderão a dimensão da coisa… Tem empresas com 15 a 30d de frete já fechados, puxando boi sem parar!!!

 

4.2. E dá-lhe dicotomia…

A dicotomia que me refiro vem do fato de que existe muita gente otimista e muita gente achando que o rumo do boi é para baixo. Esta dualidade existe em todos os agentes da cadeia.

Sexta passada, p.ex., falei com dois frigoríficos da região de Goiânia. Um deles está “fora das compras” porque está com a “barriga cheia” (para não dizer outro lugar, se é que você me entende) e escala muito longa. O outro me relatou oferta curta e dificuldade em alongar escala (esta ainda para o dia 15). Perceberam a dicotomia de opiniões que eu falei?

O causador disto é o tal “boi de contrato, boi de termo”. Frigorífico que cuidou bem da sua cadeia fornecedora, fez a sua lição de casa bem feita, agora está em berço esplêndido. Então, “fica a dica” para os demais. E nunca se esqueçam do “tal peso”… Ele “pesa” no gancho, mas também na hora de decidir para quem o boi será entregue! “Fica a dica” novamente. As indústrias mais apertadas de escala são as que tem as piores imagens em termos de “peso” para com o produtor!

E antes que alguém possa querer bater no boi de termo, dizendo que ele é prejudicial, digo o contrário. Ele pode ser uma das explicações de que mesmo com escalas bem mais confortáveis, o boi vem descendo a ladeira de preços devagarzinho… Como a oferta de cocho ainda não está a todo vapor, a crescente oferta, com boa parte já negociada, não deixa o mercado cair, pois o boi pronto spot, cremos ser de menor volume hoje quando comparado à média histórica, daí a possibilidade de mesmo com oferta crescente, haver por ora, ainda pouco impacto no mercado físico.

 

4.3. E quem é o Pai da criança?

Se existe a tal dicotomia no bovino (uns falando de oferta curta e outros de oferta razoável e em crescente e iminente aumento), ela está na ponta da OFERTA.

Porque na ponta de DEMANDA, a coisa “tá preta” e unânime! A combinação DIA DOS PAIS + DOLAR DE 2.30 + INÍCIO DE MÊS COM VOLTA ÀS AULAS + FRANGO EM PLENA RECUPERAÇÃO DE PREÇOS, deveria “bombar” o preço do atacado bovino. Pois bem, o atacado está ladeira a baixo desde 16/julho.

Em pleno dia dos Pais, vi no supermercado oferta de picanha por R$ 19,90 (à vácuo) e por R$ 15,90 (fatiada). Será que se a venda de carne tivesse boa, precisava queimar o preço da picanha em pleno Dia dos Pais???? Preocupante…

Seria já o efeito do “pibinho, aquele que vale por apenas meio bifinho”? Com a palavra o nosso “manteigado”, ops, ensaboado Ministro da Fazenda, o Mantega…

Mas acredito que sim, isto está pesando. Imagina se a exportação não estivesse a todo vapor!!! Credo!?!

O fato é que o atacado em queda tem reduzido a margem bruta operacional dos frigoríficos e certamente tem tido um peso enorme na vontade de pagar menos pelo boi que estas empresas estão apresentando hoje. E olha que o meio do mês, período em que normalmente o atacado fica mais frouxo, está ainda por vir. E também está por vir um bom volume de bois do primeiro giro, a maioria deles, visto que a saída deve “ferver” no final de agosto/primeira quinzena de setembro.

Apesar de tudo, de achar que existe muita munição para ser queimada para o nosso lado, continuo acreditando no outubro (segunda quinzena), ao menos por enquanto. Até quando eu não sei.

Em resumo: aparentemente o mercado se apresenta frouxo e tem tudo (infelizmente) para continuar neste rumo porque:

  1. a oferta de bois tende a ser crescente, independente do patamar em que ela realmente esteja hoje (restrita ou já consistente);
  2. a ponta de demanda, mostra sérios e consistentes sinais de fraqueza;

Portanto, o Pai da criança, ou seja, o motivador da “perna de baixa” do boi pode ser muito mais que apenas o início de oferta de boi confinado, mas sim um problema macroeconômico do País.

Acho que ambos podem ser “o Pai da Criança”, da perna de baixa do bovino. De toda forma, estes são os únicos “pais” que eu não gostaria de cumprimentar neste domingo, Dia dos Pais. Dediquem o dia do Domingo a todos os outros! Parabéns a eles (a nós)!!!

 

Até o próximo texto, se assim Deus permitir…

 

rodrigo albuquerque
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