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Atualizado em 20/03/2013 às 14:14

NOTÍCIAS DO FRONT – “Autismo bovino”

Esta semana foi confirmado pelos técnicos do “Ministério dos Mistérios do Preço Bovino” um caso de AUTISMO CLÁSSICO do boi no estado de GO. Vamos à definição da doença primeiramente, pela Wikipedia: “o autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização (estabelecer relacionamentos) e de comportamento (responder apropriadamente ao ambiente)…”


 Companheiros da Trincheira Bovina,

 

Esta semana foi confirmado pelos técnicos do “Ministério dos Mistérios do Preço Bovino” um caso de AUTISMO CLÁSSICO do boi no estado de GO.

Vamos à definição da doença primeiramente, pela Wikipedia: “o autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização (estabelecer relacionamentos) e de comportamento (responder apropriadamente ao ambiente)…”

Agora ao texto, para entendermos o caso citado acima.

 

Como está o nosso teto (SP/MS)?

“Régua e mosca”.

Deixa eu explicar melhor. Régua porque? Resp.: nosso telhado, ou seja, limite superior de preços está sem inclinação. Uma “régua”. Se chover, vai molhar. Ou seja, se “chover boi, vai cair”.

Fechamos a semana que acabou de passar com R$ 97,94, ante R$ 97,85 da semana anterior. A situação é a mesma a semanas: “indicador orbitando próximo a R$ 98 e intervalo de preços entre R$ 97 a R$ 99”.

A situação característica é de escalas curtas e de preços firmes, tanto para SP, quanto para o MS. Tanto é verdade que apareceu a máxima à vista de R$ 100,50 na sexta para SP! São esperados mais negócios de R$ 100 em SP esta semana.

Concluindo, a frase que colocamos na semana passada é o que ocorreu mesmo e que continua sendo a tendência no curto prazo: “estabilidade é o que vemos na tela do nosso BEEFRADAR”. Daí a “mosca”. Acertamos o curto prazo.

Só para dar mais consistência no que estamos dizendo, a média dos últimos 20 pregões (um mês) do indicador à vista é R$ 97,94, COINCIDENTEMENTE O MESMO VALOR DO INDICADOR.

 

E aqui, na terra do pequi???

Na semana passada escrevemos que as escalas “estiveram mais curtas perto do carnaval”. De lá para cá elas vem ficando maior de fato e no decorrer desta semana atingiram a quantia de 6d úteis entre o dia da ligação e o do abate.

Isto deixa os frigos muito confortáveis em termos de escala. Eles iniciam a semana com ela “todinha feita” e já adentrando a próxima. É mamão com açúcar para eles!

Na segunda, dia 11/mar, mandamos o alerta via SMS (BEEFRADAR): “Boi GO em geral 87av x 89ap. Tem frigo falando q oferta não tá grande, mas tem escala até dia 20. Duvido da escala. Mas se eu estiver errado, há espaço para recuo. SP e MS oferta quase zero”.

E eu estava certo e errado. Certo porque não era tudo isto de escala mesmo naquele dia. Mas errado, porque a escala foi aumentando mesmo, e como previa para este caso, houve recuos.

Aquele “R$ 87ax v R$ 89ap ou R$ 1 acima”  sumiu e no lugar dele estão querendo impor o “R$ 86ax v R$ 88ap”, sendo que tem indústria “apelando” e lutando para implementar o “R$ 85av x R$ 87ap”. Ou seja, triste dizer: queda de R$ 1 a 2/@ nesta semana.

Queda também no ágio EU, que beliscava R$ 3/@, mas agora vale cerca de R$ 2,5/@, mas a mesma indústria que nos propõe a oferta indecente de R$87ap, quer pagar somente R$1 de ágio (“R$ 2 só para quem estiver muito próximo”). Difícil de engolir isto ouvido abaixo.

E o milagre continua o mesmo: vacas e mais vacas e mais vacas na escala.

O pequi azedou…

 

Hora do quilo (para “refrescar a cuca”)

 

Lembram de quem eu falei que estava “comendo o nosso filé”, nosso texto de 2 semanas atrás? Olhe o link http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1245321-apos-desoneracao-precos-da-cesta-basica-sobem-em-vez-de-cairem.shtml

Impressionante: após a desoneração de impostos federais sobre produtos da cesta básica, fato que deveria fazer os mesmos caírem de preço, (incluso a carne, com uma das maiores reduções, na ordem de 6%), milagrosamente ocorreu justamente o contrário. O preço do contra-filé subiu 3,45% para o consumidor, engordando a margem do varejo…

Minha carteira de ações PCAR4 agradece, mas o bolso do pecuarista bovino entristece…

E o dia de amanhã?

Recapitulando: semana passada coloquei como fatos concretos no mercado bovino os pontos: “oferta de boi gordo ainda não é grande; Oferta de fêmeas está absurda (em GO e MT); Tendência de estabilidade; Exportação ajudando o boi decisivamente neste momento; Vendas no mercado interno deixaram de ser um “mico”.

Em SP e MS nada de novo. Tudo que foi dito se mantém. “Pipocou” até o boi de 3 dígitos no mercado a vista. A principal diferença do mercado goiano são as vacas em excesso nas escalas. Elas fazem um “estrago nos preços”. SIM! E acredito que tenha saído um pouco mais de boi levando as escalas para os 6d em GO. Afinal, já estamos em março e quem tinha pastagem para engordar boi, já tem que ter “madurado o bovino”. Agora, calma. Não estou dizendo que tem um “mar de boi”, isto NÃO TEM MESMO!! NÃO TEM PASTO PARA ISTO (“pasto vai valer mais do que boi” em 2013, segundo o cara que mais entende de pasto que eu conheço, o agrônomo Armélio Martins).  

De toda forma, qualquer aumento de oferta, em cima de muito pouco, faz seu efeito. Só isto, “recrutada do carcanhá rachado”. Não vamos cair na lábia dos compradores, caso contrário, o R$87 ap vira realidade.

 

Nota de R$3: atenção, atenção, pecuarista que vai ligar em frigorífico para vender o bovino. O discurso está montado. Os compradores de boi dizem que a venda de carne está muito ruim. E aí estaria o motivo de baixarem preços. Esqueçam! Uma porque exportação “bomba” neste momento. Duas porque o mercado interno recuperou o seu piso de R$ 6,30/kg de carcaça casada com folga. E digo mais: na primeira trucada, escutei: “bom, na verdade, isto é o que o pessoal do comercial de venda de carne está dizendo, vai ver não está tão ruim assim”. Amigo meu trabalhou dentro de frigo por mais de uma década. Ele NUNCA VIU este “tal pessoal da venda de carne” dizer para a “compra de boi” que estão vendendo muito. Lógico: isto pode ser interpretado pelos compradores como “podemos pagar o boi mais caro”. Resumindo: o discurso de que a venda de carne está ruim vale tanto quanto “uma nota de R$ 3”.

 

Não largo o osso: GO (e talvez MT) é hoje o berço da recuperação das “margens recentemente desafiadas” dos frigos. Explico: enquanto o mundo, que é a pecuária bovina brasileira, apresenta escalas curtas e preços estáveis/firmes, aqui, o preço ameaça cair. Justamente no momento em que a carne, apesar de não estar “bombando”, está muito, mas muito longe de ser um problema, como dissemos acima.

O “mar de vacas” na escala atinge sim os preços dos bois em GO. E estando ao contrário da tendência do “rio dos preços”, GO passa a ser vital para os frigoríficos manterem suas margens. Abatendo muitas vacas, as quais são despejadas no mercado interno, seguram em baixa o preço do boi e conseguem reverter a tendência de quedas de margens.

Depois de mais de 2 anos em um nível excelente de margem não era mesmo de se esperar que largariam o osso rapidamente mesmo.

 

Caso clássico de autismo bovino: GO (e talvez MT) vivem seu “mundinho próprio”. Um verdadeiro caso de AUTISMO.

O boi em GO está com dificuldade de se relacionar com os mercados vizinhos, caracterizando a doença citada.

A quantidade absurda de vacas nas escalas de Goiás, jamais vista em várias plantas, aliada a concentração do setor de frigoríficos que faz algumas regiões fortemente produtoras do estado ficarem com poucas opções de venda (como o Vale do Araguaia), faz com o que haja a situação que estamos vendo: o mercado ameaça ir ao contrário do resto do Brasil.

Esta doença que acomete o boi goiano atinge diretamente o bolso do pecuarista.

O diferencial de base de GO com SP está, com base no fechamento de sexta, no seu menor valor desde 29/ago/11. Nossa arroba vale R$ 11,18 a menos que SP.

Para vocês terem noção de como a coisa está ruim, vejam: acompanho o diferencial de base de GO x SP a muitos anos, desde 15/09/2008. Deste dia para cá, passaram-se 1.644 dias, graças à Deus. Graças ao Pai Celestial vivi todos estes dias acompanhando esta relação.

E digo para vocês, recrutas do Front, nestes 1.644 dias desde set/2008, apenas 19 dias foram piores que esta última sexta para se vender boi, tomando de base este critério (diferencial de preço com SP).

O diferencial de base serve para isto, como nos ensinou o Rogério Goulart, da Carta Pecuária. Saber se é uma hora boa ou ruim para se vender boi. Resultado: digo, sem sombra de dúvidas que agora é uma péssima hora para se vender boi em GO. Desde 2.008 só houveram 19d pior que este para se vender.

Fazendo as contas, vemos que quase 99% dos dias desde 2008 para cá foram melhores que esta sexta para se vender boi em GO.

E justamente no momento em que a carne deixou de ser um mico. Faz dois anos e pouco que a margem de frigorífico está nas alturas e acabou de passar por um teste bom. Bastou um pouco (MUITO POUCO) de boi gordo aparecer, aliado com um volumoso exército de vacas na escala, para o boi de GO entrar numa crise aguda de AUTISMO.

O sinal clínico mais perceptível desta doença é o diferencial de base com SP. Este é o termômetro que mede a temperatura desta febre que atinge o nosso bovino.

A anamnese do caso mostra a ocorrência de muitas vacas na escala e também a “fome de recuperação de margens” das indústrias, que são MUITO poucas e concentradas.

O remédio para esta doença é: “venda aos poucos”!  O bastante para sanar as suas contas mensais. Nada mais!

Esta doença do boi é crônica. A doença é crônica no boi, mas é uma zoonose que se transmite para seu dono, o pecuarista.

E no pecuarista, o curso desta doença é outro, é muito agudo e causa graves efeitos no bolso, RAPIDAMENTE. Por isto cuidado, caso contrário, o AUTISMO DO BOI LEVARÁ AO BAIXISMO DE SEU SALDO BANCÁRIO!

 

 

Méd.Vet. Rodrigo Albuquerque - CRMV-GO 04872

Contatos via Twitter: @fazendaburitis

ESPÍRITO DA APROVA: Farms here, forests here, and #boigordo here! Yes, we can!


“publicado também no site www.beefpoint.com.br”

 

rodrigo albuquerque
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