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Atualizado em 21/01/2013 às 16:16

NOTÍCIAS DO FRONT - "Como será a arroba em 2013"‏

Ao “Front Bovino”, Frase inspiradora do dia: “Espelho, espelho meu, para onde vai a arroba do boi meu?” “Como será a @ do boi em 2013”... Título desafiador e até mesmo aparentemente prepotente... É isto. Temos que pensar grande, caso contrário, nosso resultado tem enormes chances de não ser grande. Vamos lá.


 NOTÍCIAS DO FRONT – “Como será a arroba em 2013”

A pecuária Brasileira, sobretudo Goiana, na visão do curto, médio e longo prazos,

por quem a vive e precisa destas repostas (Edição de 20/jan/13 a 26/jan/13)

 

Ao “Front Bovino”,

 

Frase inspiradora do dia: “Espelho, espelho meu, para onde vai a arroba do boi meu?”

 

“Como será a @ do boi em 2013”... Título desafiador e até mesmo aparentemente prepotente... É isto. Temos que pensar grande, caso contrário, nosso resultado tem enormes chances de não ser grande. Vamos lá.

 

Na Semana passada não tivemos texto. Muitos afazeres na Fazenda e fato de concreto mesmo no mercado foi pouco. Muitas mesmo foram as especulações sobre para qual lado (alta ou baixa) a arroba vai enveredar em 2013. Aos poucos o ano vai se mostrando. E cada um vai tomando “o seu partido” na direção que acha que a arroba vai seguir. Existe ainda uma certa indefinição no ar. Vamos lá.

 

Como está o nosso teto (SP)?

Na semana de 06-12/jan e na semana de 14-18/jan o intervalo de negociação de preços em SP esteve por volta de R$ 96 av a R$ 100 av, com a arroba se mantendo pouco abaixo de R$ 98 av. Na sexta, dia 18/jan, fechou em R$ 97,31 av, com intervalo de R$ 96av a R$ 99,50av. Estabilidade, a grosso modo. Especulou-se sobre uma tendência de baixa, mas que parece ir se aliviando aos poucos.

 

E aqui, na terra do pequi???

Como sempre a arroba em GO sofreu mais, rimou bem, mas sofreu mais. É igual ao capim Mombaça, que só de ver nuvem preta em cima, já começa a crescer. Com a arroba de GO a analogia é esta, mas invertida: só de ver uma ameaça de baixa na arroba paulista, a daqui “despenca”. Nosso diferencial de base está no absurdo de -8 a -9% frente a SP.

 

O preço balcão caiu de R$ 1, ficando entre R$ 87av x R$ 89ap, e ainda dizem que podem tentar derrubar mais R$ 1 de novo. E estão tentando, ainda sem muito sucesso.

 

Isto baseado na escala que saiu de 3d no começo do ano e foi para aproximadamente uma semana.

 

Mas como escala andou se não tem boi gordo em grandes volumes? Resp.: a “culpa é da patroa”. Vacas na escala são entre 35 e 45% do abate. Mesmo com pouco boi, há volume para fazer escala. Só queria saber para onde vai a quantidade de picanha de vaca, eu nunca vi uma no supermercado... Que mistério...

 

Além disto, do dia 07/jan para cá foi desovado no mercado a venda represada de dez/12 (excesso de feriados) e também os animais que estão sendo descartados para alivio de pastagens em função da falta de chuva de dez/12.

 

E o dia de amanhã?

Muita gente inquieta sobre o destino da arroba em 2013. Sendo assim, aqui vamos fazer um resumo sobre os principais fatores de mercado que podem nortear a arroba em 2013. Simples, poucas linhas sobre cada um.

1.       Oferta:

1.1   A quantidade de cabeças abatidas aumentou em 2012 e isto deve continuar a tendência em 2013. E a novidade é que aumentou muito a participação de fêmeas no abate total. Atualmente está entre 35 e 45% como disemos, o que tira a força do preço da arroba do boi. A vaca valia, no início do mês passado, 4-5% a menos que o boi. Hoje vale de 7-9% a menos que o macho. Dobrou o deságio vaca x boi em GO de dez/12 para cá. Isto é muito e é sinal de ciclo pecuário maduro, na sua fase de baixa. Vemos isto ocorrendo em GO atualmente. Fator negativo para a arroba;

1.2   Chuva: uma ressalva para a negatividade sobre a arroba referente a oferta é “o tal de São Pedro”. Nunca vimos uma estação chuvosa tão irregular como a de 2012-2013. Meses excelentes de chuva (nov/12, jan/12), entremeados de meses desastrosos (dez/12). Isto impacta as pastagens, que respondem por 90% do nosso gado abatido. A falta de chuva regular atrapalha os pastos e as vezes até aumenta a oferta, como agora, pois todo mundo tende a aliviar os pastos. Inclusive tende a fazer a quantia de bois terminados em cocho começar mais precocemente a aparecer dentro do ano. Mas, em algum momento, estes bois/vacas que engordam menos devido a falta de pasto bom motivado pela irregularidade da chuva vão fazer falta. Em última análise, o que é ruim, tem um lado bom. Fator positivo para a arroba;

1.3   Condição das pastagens: os pastos de hoje estão sofríveis por décadas de manejo inadequado e extração sem sustentabilidade dos nutrientes do solo. Não adianta falar mal de pobre coitada da Braquiária! A culpa é SUA!!! Com isto, o que se vê são relatos jamais vistos de cigarrinhas, lagartas, infestação por ervas daninhas, etc. Ninguém sabe ao certo que falta estes pastos vão fazer, mas que vão fazer falta, muita falta, isto vão. De novo, e em última análise, o que é ruim, tem um lado bom. Fator positivo para a arroba;

1.4   Pressão de custos: será incrivelmente alta este ano. Salário mínimo, grãos, etc. Teremos safra boa de grãos, mas estoques baixos mundiais devem impedir uma queda interna de preços consistente. Esta história do tanque do seu carro brigar com o seu estômago, evidenciado pelo uso de grãos para produção de combustível, está agindo. Isto pode até conter um pouco a oferta grande de bois. Será? Acho que não. Pior do que ter baixa margem por boi é custear ele indefinidamente... Acho que este ítem é fator negativo mesmo para o bolso do pecuarista.

 

2.       Demanda:

2.1   Interna: o modelo de consumo “do barbudo” chegou ao ápice em 2010. Hoje a população está com seu poder de compra comprometido por anos de incentivo ao crédito, sem muita responsabilidade (principalmente “dele”). Está endividada. Não que não haja consumo, sim, ele há e é bom, mas é difícil o mercado interno obter grandes aumentos de consumo para dar vazão à produção de carne crescente (abate crescente). Pior ainda com a “economia do pibinho” de 2012. Mesmo com as perspectivas do crescimento do pib de 2013 sendo bem superiores ao que houve em 2012, parece-nos que “deste bagaço não vai sair muito mais caldo do que já sai hoje”. Uma coisa interessante é notar que podemos ter o piso da arroba do atual ciclo pecuário no mesmo momento em que a nossa economia pode ter uma injeção de ânimo com os eventos mundiais e esportivos que serão feitos no Brasil. De toda a forma, este item (demanda), por ora, pesa mais como fator negativo para a arroba por estar incapacitado de dar maior vazão ao consumo;

2.2   Externa: definitivamente a exportação não tem sido nossa menina dos olhos, como foi de 2000 até por volta da crise mundial. Da crise para cá, ganhamos mais concorrentes e a economia mundial mergulhou num período de menor crescimento dos países, notadamente os desenvolvidos. O crescimento de 2012 da China de pouco mais de 7% divulgado este semana mostra que o patamar de crescimento do mundo será menor por um tempo grande, daqui para frente. O pior já foi em termos de crise, mas não é a demanda externa que parece nos prover um horizonte limpo e extremamente promissor agora. Porém, deve melhorar... Portanto, fator negativo para a arroba;

 

 

Tem coisas pintadas de verde (positivas) e de vermelho (negativas). Porém, creio que as de vermelho são mais fortes...

 

A conclusão que chego é que este ano podemos estar caminhando a passos largos, ou até mesmo perto dos piores preços da arroba do nosso atual ciclo pecuário. Lembram de 2006? Já faz 6 para 7 anos daqueles preços horríveis. Nosso ciclo está maduro, na baixa. Aumento de abate de animais e principalmente de fêmeas, margem alta e crescente da indústria... Falta só a reposição cair de preço para caracterizar o momento por completo.

 

Vimos este cenário completamente desenhado em 2006. Muitas vacas abatidas em 2005-2006, configurando o final daquele ciclo e depois em 2010 o preço do boi explodiu, sentido falta daqueles bezerros que não nasceram e que não se tornaram bois...

 

Para nossa sorte, este ciclo parece que terá uma depressão de preços menor que a ocorrida nos ciclos anteriores. Poderemos ter uma turbinada na economia (Copa das Confederações, Copa de 2014, Olimpíadas) justamente neste momento de preços piores. Parece que Deus é brasileiro mesmo... Seria pecuarista também?

 

Escrevemos o que está acima extraindo do “liquidificador de nossa cabeça”, tudo o que sentimos, lemos, pensamos e tentamos antever sobre o mercado pecuário. Independente de concordar comigo, pense, reflita e forme a sua própria opinião sobre o destino da arroba. Em cima disto, com as contas que você tem para pagar, e com o gado que você tem na sua Fazenda, monte a sua estratégia comercial para o ano. Não deixe de usar a BMF nesta estratégia.

 

O resultado de minha análise está acima, e será considerado por mim na tomada de decisão sobre a estratégia comercial da Fazenda em 2013.

 

Voltando ao título deste texto, ele parece, mas não retrata um texto prepotente. Eu quero dizer com este título que você tem que saber internamente como será o seu ano de 2013 em termos de preços de @, independente de acertar ou não, para que você tenha uma estratégia, como já dissemos aqui. Pior que ter uma estratégia não completamente correta, é não ter nenhuma, pois neste caso, você será a estratégia dos seus oponentes do “front bovino”.

 

Finalmente, um segredo... A coisa mais importante para saber se você definiu o destino da arroba em 2013 da forma correta... Cheque o resultado com todas as fontes que a sua crença permitir. Eu chequei com todas as fontes que a minha cultura ecumênica permitiu, tais como: tarô, astrologia, Mãe Dinah, búzios, umbanda, meteorologia, Santos, numerologia, etc. Até o espelho da Bela Adormecida (a carne) eu consultei, afinal de contas, quem sabe do preço do boi é ele mesmo... Nem você, nem seus oponentes do front sabem ao certo.

  Méd.Vet. Rodrigo Albuquerque - CRMV-GO 04872

Contatos via Twitter: @fazendaburitis

ESPÍRITO DA APROVA: Farms here, forests here, and #boigordo here! Yes, we can!


“publicado também no site www.beefpoint.com.br”

 

rodrigo albuquerque
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