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Atualizado em 18/12/2012 às 16:16

NOTÍCIAS DO FRONT - "hora de afinar o instrumento"‏

Olá, amigos do Front, Frase inspiradora do dia: “antes tarde do que nunca” (cultura popular). Como está o nosso teto? Semaninha passada foi agitada... Tudo por conta da “vaca louca” que na verdade “não era tão louca” assim. A semana iniciou com o mercado paulista em R$ 96,55av e terminamos com R$ 1 de queda (R$ 95,50/@ av). Mercado muito especulado e tenso em função das notícias incorretas sobre um possível caso de vaca louca no PR. Tudo veiculado erradamente, e da pior forma possível: alarmante! De toda forma, isto influenciou muito até quarta, com o mercado futuro desabando forte, principalmente na terça. No início do pregão, beirou o limite de baixa.


 NOTÍCIAS DO FRONT – “hora de afinar o instrumento”

A pecuária Brasileira, sobretudo Goiana, na visão do curto, médio e longo prazos,

por quem a vive e precisa destas repostas (Edição de 16/dez/12 a 22/dez/12)

 

Olá, amigos do Front,

 

Frase inspiradora do dia: “antes tarde do que nunca” (cultura popular).

 

Como está o nosso teto?

Semaninha passada foi agitada... Tudo por conta da “vaca louca” que na verdade “não era tão louca” assim. A semana iniciou com o mercado paulista em R$ 96,55av e terminamos com R$ 1 de queda (R$ 95,50/@ av). Mercado muito especulado e tenso em função das notícias incorretas sobre um possível caso de vaca louca no PR. Tudo veiculado erradamente, e da pior forma possível: alarmante! De toda forma, isto influenciou muito até quarta, com o mercado futuro desabando forte, principalmente na terça. No início do pregão, beirou o limite de baixa.

 

Mas de quinta em diante parece que a normalidade das informações começou a afastar as nuvens negras. Mesmo assim, vimos que o mercado caiu porque perdeu a mínima. Hoje as negociações estão entre R$ 93 av e R$ 98 av.

 

De toda a forma, as escalas seguem com alguma folga para o final do ano. O mercado futuro tinha “exagerado na dose” e na sexta, o deságio do indicador para o contrato de dezembro já tinha diminuído para cerca de R$ 0,50/@. Ou seja, a BMF projeta que o mês de dezembro vai fechar com a @ de R$ 95 aproximadamente (base de sexta).

 

E aqui, na terra do pequi???

O preço que iniciamos a semana, já com queda grande frente aos últimos dias (R$ 89av x R$ 91ap), “virou pó” na terça. Os frigos, supostamente com o intuito de se defenderem do risco de comprar carne num ambiente de várias incertezas quanto ao mercado externo, derrubaram o preço do boi para inacreditáveis R$ 86av x R$ 88 ap, além de diminuírem abates. Logicamente não é fácil impor ao mercado uma queda grande e abrupta destas. A tentativa de recuo foi geral, mas parece que a escala travou. Ainda escutamos negócios no R$ 92ap na quarta-feira passada, mas o indicador de Goiânia caiu 3% na última sexta, indicando R$ 87av x R$ 89ap. Porém, como as escalas travaram, vamos ver se “este preço pega”...

 

E o dia de amanhã?

Sobre o caso da “suposta vaca louca” havida em 2010, o principal problema é sem dúvida a falta de credibilidade da imagem do Brasil frente aos seus clientes importadores. Após o Japão, no dia 08/dez anunciar a proibição da compra de carnes (fato que não ocorria desde a vaca louca dos EUA em 2003), diversos outros países apareceram como bloqueando nossa carne definitivamente ou “estudando” o bloqueio. São eles: Egito, China, Rússia, Irã, África do Sul, Arábia Saudita e Venezuela. De todos estes, restaram de concreto: África do Sul, China e Japão como países com bloqueio da importação mantido. Muito pouco do nosso mercado, cerca de 1,5% das exportações, e ainda podemos revogar estes bloqueios com atitudes junto à OMC.

 

Então porque o barulho todo? Resp.: tudo é uma “questão comercial”. Para um país como a Rússia, que importa do BR, cerca de 43% de tudo o que compra de carne, fazer uma “pressãozinha” para obter um “descontinho” não é nada mal... Aí vale qualquer coisa, até colocar a ractopamina (aditivo recentemente liberado para uso em bovinos) nesta confusão toda, misturando suínos com bovinos...

 

A pergunta que fica, é este “prazinho” de 2010 até hoje... A pobre vaca faleceu em 2010... Será que demora tanto tempo assim para o exame definitivo sair? Países que tiveram também casos não clássicos como o nosso demoraram tanto tempo assim para expô-los? Com a palavra, o MAPA... Será que a frase, divulgar o caso antes tarde do que nunca, será entendida (e digerida) pelos nossos compradores de carne?

 

Sei não, eu acho que foi ai que o BR “deu o lado” para os compradores “muntarem”... Apesar da doença realmente não ter existido.

 

Por aqui, continuamos com um dezembro meio tenebroso, nem vamos mais nos importar com ele. A tradução correta da frase que escutei na terça de comprador, quando me disse “o boi de R$ 92 agora é R$ 88” para mim é: “eu não quero comprar boi, só compro se for muito barato”. Então, foi o que fiz. Fiz a vontade dele. Aproveitando a chuvarada de novembro, e o capim a todo vapor, deixei os que poderia enviar para abate neste mês no pasto mesmo. Se a “moçada enleirar por este caminho”, a coisa volta rápido para a normalidade.

 

Em minha modesta opinião, seria melhor que os frigoríficos tivessem saído das compras, pois supostamente para “livrarem-se do risco” tomaram uma atitude que pode ser considerada por muitos pecuaristas como oportunista (comprar carne mais barata em função da notícia). Vamos ver, a verdade prevalecerá.

 

Polêmicas a parte, o fato é que estamos com oferta de animais prontos para abate maior que 2011, cerca de 5% de aumento (relativo ao 3º trimestre). Mais boi, menor preço... E os “primos suíno e frango”? Queda de abate, sendo 0,7% para o frango e 4,7% para o suíno... Hum... Menos frango e menos porco, preço maior para ambos... Entenderam? A relação é clara...

 

Sinal que estamos com o ciclo atual na sua fase de baixa, com mais oferta de animais para abate e entendemos que esta tendência continue para 2013. Porém, acreditamos que o potencial de variação de preços para baixo, está menor que comparativamente a ciclos anteriores... Entretanto, fase clara de boas margens para os frigos...

 

Consequentemente, a “carne é fraca”, ou melhor, “está fraca”. Nada de reagir. Foi-se a ideia de que o 13º injetaria ânimo. A “Bela Adormecida” continua hibernando. Enquanto isto, suas “primas” alternativas seguem a todo vapor. O frango tem 34% de aumento frente a 2011, mas ainda sem recuperar o aumento de custo de cerca de 40%. Impressiona a estagnação da carne bovina, mesmo com a evolução de preços das alternativas. Com a palavra, o mercado interno e o pibinho... Adicione falta de marketing da cadeia da carne e excesso de endividamento da população... Hum...

 

O que eu sei, é que dependemos de pasto para abater gado gordo de agora em diante e sei não... Parece que poderá haver problemas de oferta pontuais, principalmente em GO, na região do Vale do Araguaia. Ainda não “joguei a toalha” para o repique do início do ano... Estes preços mais baixos deram uma travada geral em escala. E pensem: nesta sexta, próximo dia 21/dez, se você é comprador de boi, esteja certo que terá que ter boi na escala até o dia 07/jan, e de preferência até o dia 10, pelo menos. Afinal de contas, dificilmente você encontrará pecuarista querendo vender boi em festas de final de ano, ainda mais com este “precinho camarada”. Cuidado. O mercado futuro já percebeu isto e de quinta para cá, ele não para de subir...

 

Então, não vamos vender boi agora e vamos partir para “afinar o instrumento”. Vamos comentar quais são as três características dos pecuaristas que vendem gado acima da média, ensinamentos deixados pelo Miguel Cavalcanti, em Goiânia no dia 07/dez (colhidos no workshop de negociação do beefpoint). São eles:

1.       Tenha gado de qualidade: não há milagre. O comprador vai te pagar melhor, mas seu animal tem que ser melhor. Ele é comprador de boi e não o “seu Pai”;

2.       Você tem que “gostar de negociar”: só se faz bem feito o que se gosta. Se não tem o dom e o gosto, desenvolva-o, aprendendo técnicas de negociação. Existem muitos cursos por aí.

3.       Relacionamento com os compradores: até entendo você não gostar de negociar, tem que ter dom para isto, mas tem como compensar (cursos). Agora, saber se relacionar, é uma obrigação para um homem de negócios. E a melhor hora de fazer isto é na hora do abate. Quantos abates você assistiu no ano? Sim, “olhar o peso” não é ficar “dormindo na sala da balança”. É hora de você conhecer um pouco mais do frigorífico para o qual você vendeu seu gado. Trate-o como cliente. Converse com todo o pessoal dele, do curral, da sala de abate, da balança, do embarque de carne, a recepção, e obviamente o comprador. Faz toda a diferença. Eu vou acompanhar abate e tem vezes, que a última coisa que eu faço é “ir na balança ver o peso”. Tem pessoas que fazem isto cobrando poucos R$/cab e de uma forma muito melhor que você. Aproveite para estabelecer relacionamento. Olhar no olho do comprador e desenvolver relação baseada em credibilidade. E isto leva tempo. E envolve coisas como você oferecer seu gado, dizendo que não é um lote muito bom, caso realmente não seja. Todo mundo tem o seu “lote fundo”. Você também!

 

Faça o que está acima. Experimente e verá a diferença.

  Méd.Vet. Rodrigo Albuquerque - CRMV-GO 04872

Contatos via Twitter: @fazendaburitis

ESPÍRITO DA APROVA: Farms here, forests here, and #boigordo here! Yes, we can!


“publicado também no site www.beefpoint.com.br”

 

rodrigo albuquerque
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