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Atualizado em 10/12/2012 às 16:16

NOTÍCIAS DO FRONT - "acabou-se o que NÃO era doce"‏

Olá, amigos do Front, Frase inspiradora do dia: “nada é tão ruim que não possa piorar” (cultura popular). Começamos efetivamente a nossa “quinzena de dezembro” na semana passada. E informo que ela já acabou... Mas como, se hoje é dia 09/dez? Pois bem, se o mês “já era uma quinzena”, como disse, informo que ele acabou para o #boigordo no meio dela. Vejamos adiante.


 NOTÍCIAS DO FRONT – “acabou-se o que NÃO era doce”

A pecuária Brasileira, sobretudo Goiana, na visão do curto, médio e longo prazos,

por quem a vive e precisa destas repostas (Edição de 09/dez/12 a 15/dez/12)

 

Olá, amigos do Front,

 

Frase inspiradora do dia: “nada é tão ruim que não possa piorar” (cultura popular).

 

Começamos efetivamente a nossa “quinzena de dezembro” na semana passada. E informo que ela já acabou... Mas como, se hoje é dia 09/dez? Pois bem, se o mês “já era uma quinzena”, como disse, informo que ele acabou para o #boigordo no meio dela. Vejamos adiante.

 

Como está o nosso teto?

Iniciamos a semana com o indicador em R$ 96,42 av e terminamos esta última sexta-feira com R$ 96,55 av, o que nos levaria a pensar em uma estabilidade. Sim, temos uma estabilidade numérica, mas apenas numérica. O indicador “teima” em não cair (até subiu no meio da semana), aparentemente na contramão do que o mercado prega. Na semana passada falamos que o mercado havia perdido o ânimo. E isto é muito forte. Estamos com as escalas mais cumpridas do ano e com muitas indústrias “fora da compra”, precisando de muito pouco boi para fechar o ano. Como o mercado poderia manter o ânimo nesta condição??

 

Prova disto é que o contrato de dezembro está com deságio de quase R$ 2 frente ao indicador, ou seja, a BMF projeta que o mês de dezembro vai fechar com a @ quase R$ 2 abaixo do R$ 96,55 (base de sexta). Faz tempo que isto não ocorria.

 

Outro sintoma é a mínima do intervalo de preços. Antes o intervalo de negócios era de R$ 96 a R$ 98 av e agora é de R$ 94,75 a R$ 98,00. Perda consistente da mínima indica mercado com tendência para baixo.

 

E aqui, na terra do pequi???

Continuamos ladeira abaixo. Iniciamos a semana com o preço balcão de R$ 91 av x R$ 93 ap (ágio em geral de R$ 1 para o boi EU). Na terça, abaixou para R$ 90 av x R$ 92 ap, com momentos fora da compra. Na quinta, ouvimos tentativas com valor R$ 1 mais baixo. E na sexta, houve confirmação de compra no R$ 89av x R$ 91ap. Ainda não é o padrão, mas este preço existiu. E as escalas... A maioria está para o dia 26 e tem indústria em GO com o ano fechado! Fato.

 

E o dia de amanhã?

Listei semana passada 7 fatores que estariam atuando em dezembro, a maioria deles baixista. Ao que tudo indica, eles prevaleceram mesmo. A combinação (“poucos dias úteis de abate + oferta de cocho não tão residual + início de oferta de boi/vaca pasto + bela adormecida (carne hibernando) + férias escolares”)fez um efeito ruim para os preços.

 

Esta semana, viajando no sentido Goiânia-Vale do Araguaia, pude observar várias boiadas na beira de estrada entre 14 a 16@, sendo que destas, “dá até para descascar” uma ou outra carreta de boi pronto. Isto foi raro nos anos anteriores, principalmente no final de 2011. Acho que este ano houve uma coisa nova: os bois que não foram para o cocho, e que agora já são erados, são os bois que eu vi. Eles podem preencher a lacuna entre final de cocho e início de safra que eu já acreditei haver com mais intensidade para dez/12 e depois para jan/13. Mas ainda resta um fio de esperança...

 

Estes bois/vacas “sanfonas” ainda não existem em volume grande nas escalas, mesmo porque o preço está em queda (o que inibe também o seu envio para abate), mas de toda a forma, contribuem para termos hoje as maiores escalas do ano e viabilizam a baixa do boi. Já aumentou a oferta das fêmeas, pelo ciclo de engorda mais rápido que o do macho, mas não há ainda uma verdadeira “enxurrada”.

 

Apesar de nenhuma “enxurrada de animais prontos para abate” existir, a oferta já foi bem mais restrita do que agora. Prova disto é o diferencial de base de GO x SP. Abriu, alias numa velocidade muito maior do que eu acreditava. A média de nov/12 foi de -1,95% e a da primeira semana de dezembro foi de -4,47%. O número fala por si. Só para lembrar, o deságio médio de dez/11 foi de -6,80%... Barbas de molho...

 

E temos que lembrar que o preço do MS hoje (R$ 90av x R$ 92ap) sinaliza um preço de GO nos níveis que comentamos. Pois existe também um deságio de GO para MS. Mais barbas de molho então...

 

Uma coisa não menos preocupante, são os relatos de lagarta, vistos no Vale do Araguaia. Em algumas fazendas foi devastador. Isto aumenta a oferta no curto prazo (sem pastos, a única saída é o envio para abate, mesmo com animais “escorridos”), mas diminui no médio prazo. Vamos ver.

 

A carne bovina segue não ajudando, está hibernando em R$ 6,30/kg, apesar de:

1.       exportação melhor. Entre jan/12-nov/12, já exportamos 5% mais carne bovina que em 2011 inteiro;

2.       preço de frangos em alta (11,39% de alta em novembro);

3.       preço de suínos em alta (15,78% de alta em novembro). O suíno, “carcaça comum tem se aproximado da média da carcaça casada bovina – ambas negociadas no atacado da Grande São Paulo” (Fonte: CEPEA). Carcaça suína = boi, acredite!

 

Portanto, se você não tem bois no cocho e tem bois no pasto, deixei seus bois por lá mesmo, a não ser que precise de algo para o fluxo de caixa. Vender boi para frigorífico agora é o mesmo que dar um banquete para quem acabou de comer uma feijoada... Frigorífico está de “barriguinha bem cheia” agora.

 

E se você tem boi gordo de confinamento e não travou... Deixo a frase: “esqueça o erro (de não ter aproveitado o diferencial de base com SP estreito ou nulo), mas nunca a lição (usar as informações e ferramentas de proteção de preço)”.

 

E como nada é tão ruim que não possa piorar, apareceu no final desta semana uma notícia sobre “vaca louca”, com especial atenção da mídia impressa. Atenção esta, de uma forma equivocada. O título da matéria era: “Ministério deve confirmar exame positivo para “vaca louca” no Paraná”.

 

O fato é que foi encontrado em tecidos de uma vaca morta no PR, em 2010, o agente causador do mal da vaca louca (o famoso príon). Isto por si não significa que o animal teve a doença. Aliás, é certo que não a teve (os sinais clínicos e a evolução da doença atestam que não houve). A origem deste príon pode ser até mutação espontânea. Tanto é verdade que a Organização Internacional de Epizootias (OIE) manteve o status do Brasil como “risco insignificante para a EEB”, a melhor categoria. Trata-se, portanto, de um antigo caso não clássico de EEB, comum a “diversos países que já registraram casos semelhantes, como Estados Unidos, Canadá, Japão, Portugal e Inglaterra. Somente no ano passado, a União Europeia comunicou 06 casos de EEB atípica junto a OIE”.

O problema disto não é de saúde pública. Mas sim de desinformação pública. Nosso mercado interno consumidor tem pouca condição de entender o que isto significa (na verdade, significa nada). E mais ainda. A OIE pode até não ter rebaixado o status sanitário do País, mas na tarde de sábado (ontem), o Japão anunciou que proibiu a importação de carne bovina do Brasil.

 

Isto não representa perda em volume exportado, mas sim em imagem frente ao mercado importador. O Brasil pode e deve recorrer, mas o estrago em termos de imagem já começou.

 

Em resumo, foi o ano dos frigoríficos. Quase o ano todo com oferta regular, exceções à parte (como foi final de out/nov em GO) e com margens em níveis bons (só desafiada no final de jan e início de nov). Mas, tem um lado bom nisto! Qual?? Resp.: faz tempo que não escutamos falar de frigo quebrando... Tudo tem um lado bom... (kkkkk)

 

A ideia aqui não é ser otimista, nem pessimista. A ideia também é muito maior do que acertar ou errar o destino do mercado. Mas sim relatar o que vemos, de forma imparcial, pensando. E mais do que isto, nosso objetivo é fazer você pensar. O que menos importa é se você concorda ou não comigo. O que importa é que você pense.

 

E o que fazer então? Aproveitar para este tempo (até o final de dezembro) para “afinar o instrumento”. E vamos começar comentando na próxima semana quais são as três características dos pecuaristas que vendem gado acima da média, ensinamentos deixados pelo Miguel Cavalcanti, na excelente palestra ministrada em Goiânia no dia 07/dez.

 

O ano de 2012 ofereceu para a pecuária de corte um bolo de preços muito pouco doces, e com uma cereja estragada no final (confusão sobre a “vaca louca”).Portanto, vamos aguardar 2013 “afinando o instrumento”, afinal de contas, ufa, acabou-se (o ano) que NÃO era doce para a pecuária de corte, mas que deu muitas oportunidades para quem usou ferramentas de proteção de preço.

  Méd.Vet. Rodrigo Albuquerque - CRMV-GO 04872

Contatos via Twitter: @fazendaburitis

ESPÍRITO DA APROVA: Farms here, forests here, and #boigordo here! Yes, we can!


“publicado também no site www.beefpoint.com.br”

 

rodrigo albuquerque
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