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Atualizado em 02/12/2012 às 16:16

NOTÍCIAS DO FRONT - pibinho aquele que vale por meio bifinho‏

De volta, ao Front, Tentando entender e antecipar o mercado, para nos proteger. O pensamento inspirador do dia: “de onde menos se espera, é de onde não vem nada mesmo” (cultura popular, adaptada à Lei de Murphy).


 NOTÍCIAS DO FRONT – “pibinho, aquele que vale por ½ bifinho”

A pecuária Brasileira, sobretudo Goiana, na visão do curto, médio e longo prazos,

por quem a vive e precisa destas repostas (Edição de 02/dez/12 a 08/dez/12)

 

De volta, ao Front,

 

Tentando entender e antecipar o mercado, para nos proteger.

 

O pensamento inspirador do dia: “de onde menos se espera, é de onde não vem nada mesmo” (cultura popular, adaptada à Lei de Murphy).

 

Falamos muito de economia na edição passada, e parece que nos antecipamos ao que de mais importante ocorreu nesta semana, e que está muito ligado ao boi e a sua fazenda. Mas, antes vamos aos números do mercado.

 

Como está o nosso teto?

As goteiras continuam, graças à Deus. Mas, a @ paulista, o foco neste tópico, caiu um pouco, porém consistentemente. Iniciamos a semana com o indicador em R$ 97,42 av e terminamos esta última sexta com R$ 96,42 av, com intervalo de preços é de R$ 96 a R$ 98 av. Caprichosamente, caiu R$ 1,00 cravado. OK, você pode dizer, R$ 1 a mais ou a menos... Mas mais do que este R$ 1, perdemos a máxima av importante de R$ 100, pois na melhor das hipóteses, você vende (e com muita sorte ainda) o boi de 98av, segundo o CEPEA. E mais do que isto, perdeu-se o ânimo no mercado. Em termos de ânimo ele virou, e para baixo. Em termos de escala, folgadamente, a maioria dos frigos anuncia que as próximas 2 semanas estão lotadas, ou quase e muitos fazendo a semana de 17 a 21. Escutei estes dias algumas frases que me irritam muito: “pecuarista só vende na baixa, você já viu frigo comprar na alta?” e “pecuarista aguenta 10 altas, mas não aguenta com a primeira baixa”...

 

E aqui, na terra do pequi???

Infelizmente a “proposta indecente” de R$ 92av x R$ 94 ap continuou fazendo escala e a maioria das indústrias anuncia que está fazendo a escala da semana de 10 a 14/dez. Tanto é que na quinta, o preço balcão baixou para R$ 91 av x R$ 93 ap (ágio em geral de R$ 1 para o boi EU). Ouvimos uma planta com valor R$ 1 menor que isto.

 

E o dia de amanhã?

Amanhã, começamos o mês de dezembro em termos de dias úteis. Como está a perspectiva do mês, para quem tem boi gordo para vender no curto prazo? Vamos citar os pontos importantes:

 

1.       Poucos dias úteis (Fator negativo para a @): digo “mês de dezembro” porque está no calendário, mas deveria falar que amanhã começaremos a “quinzena de dezembro”. Tudo vai parar no dia 15/dez. Este foi o ano dos feriados, impressionante! E a economia já decretou que só vai funcionar até o dia 15. Estou terminando uma obra e as empresas estão com esta cabeça, afirmo. Teremos duas semanas que vão valer nada em termos de produção econômica, pois Natal e Ano Novo serão em “terças”.

 

2.       Oferta de cocho terminando (Fator positivo para a @): sim, está acabando, mas ainda tem. E como estamos vendo, este “ainda tem”, está fazendo escala. E tem frigorífico que tem muito boi próprio ainda. Esta foi a última cartada do ano deles. Apesar de menos bois, teremos menos dias de abate, então este fator positivo fica enfraquecido. É como se tivéssemos menos laranjas (bois gordos) para pôr no caixote (escala), mas o caixote é menor, neste mês de dezembro, ou melhor, nesta “quinzena de dezembro”.

 

3.       Carne em baixa (Fator negativo para a @): dei o apelido de “Bela Adormecida” para ela dias atrás. Ela dormiu nos R$ 6,30/kg (boi, carcaça casada) por tempos, mas informo que ela entrou em coma esta semana. Caiu abaixo disto e pressiona a margem das indústrias, como a meses não ocorria. E isto na virada de mês, período em que normalmente a “Bela adormecida” dava pelos menos uma “espreguiçada”.

 

4.       Férias escolares (Fator negativo para a @): é sabido que com as férias, as famílias diminuem o hábito de consumo regular, almoço, jantar, etc. Fica tudo com menos rotina e isto impacta o consumo das famílias negativamente.

 

5.       Diminuição do uso da capacidade de abate e até férias coletivas (Fator negativo para a @): a coisa da carne tá tão complicada, que tem frigorífico com estoque que já diminuiu o abate e partiu para férias coletivas em certas unidades. Isto ajuda a alongar ainda mais as escalas, diluindo ainda mais o efeito de menos oferta de boi.

 

6.       Comportamento do preço do dianteiro (Fator negativo para a @): caiu forte, típico de volume exportado menor e característico para esta época (alguns portos congelam e a exportação fica comprometida mesmo, isto é sazonal e normal).

 

7.       Preço do Frango em alta (Fator positivo para a @): consequência do ajuste da produção frente à nova realidade de preços de grãos, o frango ignora o boi e bate recordes de alta, um atrás do outro. O seu ciclo curto de produção propicia isto (da até inveja deste ponto!).

 

Então... Estão aí os jogadores da “quinzena de dezembro”... Tire as suas conclusões. A BMF projeta para a liquidação do contrato de dezembro (31/dez) mais uns R$ 0,80 de queda da @ até o final do ano. Ela parece ter jogado a toalha para este mês...

 

Eu achava que haveria para dezembro uma lacuna de oferta. Errei. Mas continuo achando que errei apenas no “timming”. Um pouco de otimismo também é bom neste mar de lama... Quem sabe isto não virá em janeiro? As chuvas de junho/julho atrasaram a entrada de cocho, e consequentemente a saída de animais do cocho, tudo está atrasado um pouco... A história recente mostra que janeiro tem sido um mês de preços bons. Em SP mesmo, o pico do indicador deste ano de 2012 foi até agora 23/jan e nada me convence de que não será este o pico.

 

O fato é que a situação em GO até não está tão “largada” como em outros estados, mas o nosso teto é a @ paulista. Aqui o cenário seria de estabilidade para leva queda, mas no horizonte nacional, o cenário aponta para baixa mais consistente.

 

A pressão por preços menores chega aqui, originada de outros estados (vide SP e MS), neste momento. Mas existe a pressão interna aqui também. Mesmo com muitos duvidando que teriamos oferta para isto em GO.

 

Discussões a parte, o mercado arbitra que tem razão. Tanto é verdade que o diferencial de base de GO x SP começa a abrir. O diferencial médio das três primeiras semanas de novembro foi -1,49% (recorde histórico) e nesta última semana foi de -3,32%. Dobrou, sim, mas atenção, pois ainda está fechado, e pode abrir mais. Só para ter ideia, o deságio médio de dez/11 foi de -6,80%. Tudo isto foi alertado aqui... Quem aproveitou o boi de GO com preço bem perto do de SP (ou até maior que o de lá), aproveitou... Isto “já foi com a corda”, infelizmente.

 

Tinha dito na semana passada que ia “comentar algumas poucas palavras aos verdadeiros alicerces da economia Brasileira, nós, os produtores rurais”... Parece que estava adivinhando o que vinha nesta semana: foi anunciado pelo Ministro Mantega o resultado do crescimento do PIB do 3º trimestre de 2012. Daí vem o pensamento do dia: “de onde menos se espera, é de onde não vem nada mesmo”.

 

Crescimento, ops, cadê a lupa??? O que vimos foi:

1.       O destaque positivo foi a agropecuária, aumento de 2,5%. Como sempre nós fomos o alicerce...

2.       Os números do trimestre projetam economia com PIB de +1 a 1,5% neste ano, e tem jornais falando em menos de 1%...

 

A receita de crescimento baseado no consumo, base da política populista do atual governo, está esgotada, tanto é verdade que estamos com o menor nível de juro básico da economia brasileira (taxa selic) e mesmo assim, a engrenagem emperrou.

 

Emperrou de tal forma, que o mercado interno não está “nem ligando muito” para a injeção de dinheiro que deveria incentivar o consumo (o décimo terceiro). Aliás, a melhor definição do salário extra do final do ano é a do José Simão: “o décimo terceiro deveria se chamar PÉSSIMO TERCEIRO, pois é aquele que você demora um ano para ganhar e uma hora para gastar”.

 

E também não é um salário extra. É uma herança do colonialismo. Veja: multiplique 4 semanas de um mês por 12 meses, e verá que teríamos 48 semanas no ano. Mas como todo ano tem 52 semanas, faltam 4 na conta, e é por isto que você é remunerado no final de ano com mais um salário base mensal...

 

Em suma, não adianta aplicar o mesmo remédio (jogar dinheiro na economia). O doente já respondeu a ele, consumiu, e agora a economia precisa de outro plano, que é o incentivo aos investimentos e infraestrutura do país, para que as bases de um crescimento de médio e longo prazo sejam iniciadas. Mas, para isto precisamos reformar o sistema tributário, o sistema de folha de pagamento, o sistema político, etc, tornar o país competitivo. Falta vontade política por parte do governo para isto.

 

Sem isto, vamos ter que conviver com o pibinho de 1%. Com ele, os cidadãos não tem renda suficiente para consumir, inclusive a carne. Vide o coma profundo da Bela Adormecida.

 

Os alicerces da economia não merecem o pibinho, aquele que vale SÓ ½ bifinho... (e tomara que o ½ bifinho não seja de frango!!!).

  Méd.Vet. Rodrigo Albuquerque - CRMV-GO 04872

Contatos via Twitter: @fazendaburitis

ESPÍRITO DA APROVA: Farms here, forests here, and #boigordo here! Yes, we can!


“publicado também no site www.beefpoint.com.br”

 

rodrigo albuquerque
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