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Atualizado em 05/05/2014 às 11:11

NOTÍCIAS DO FRONT - "DEMANDA E OFERTA, AMBAS “BEM RUINS”"

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #113, de 03/MAI/14 a 10/MAI/14)


 Quando eu era criança e brigava com minhas irmãs, naquela provocação que criança sabe fazer como ninguém, minha mãe nunca conseguia apurar que “tinha começado” a confusão e falava que nenhuma das duas partes estava certa, pois era o “sujo falando do mal lavado”.

Pois bem, a oferta e a demanda são o “sujo falando do mal lavado” no mercado do boi gordo neste momento. A consequência disto é que o boi não sabe para onde ir, não sabe se desce ou se sobe… Está igual a adolescente em baile da terceira idade… Meio parado…

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Como somos fiéis aos números, temos que dizer que iniciamos mais uma perna de queda para o boi, pois saímos de R$ 124,03 (variando de R$ 121,50 a R$ 127,75) e chegamos em R$ 123,72 (variando de R$ 121,50 a R$ 126).

Houve perdas das máximas, valores estes que já duvidávamos da sua existência a duas semanas atrás. Nada de novidade, portanto. O preço do boi gordo está fazendo exatamente a tendência macro desenhada aqui e de acordo com o BeefRadar da semana passada, ou seja, tendência de estabilidade com leve viés para queda, viés de intensidade ainda indefinida.

Com relação às escalas pouca coisa mudou para SP: vemos a maioria entre segunda (12) e terça (13), mantendo o “DIA D” como SEGUNDA e o “PLACAR” no mesmo intervalo, ou seja, de 5 a 7 dias úteis. Apenas uma pequena alteração para cima, portanto.

Pelos lados da “terra do Pantanal”, o MS, os preços médios variam de R$ 118 ap, com escalas idênticas a SP.

Portanto, estamos sem nenhum motivo para alterações e desta forma o BEEFRADAR se mantém em: “estabilidade(45%)/queda leve a moderada (55%)”.

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Na semana passada falamos que a sinalização de oferta que o pecuarista havia feito para a indústria tinha que se concretizar em venda para o boi cair bem. No final das contas, houve um pequeno recuo, mas até agora, nada de apavorar, pois a referência de preço se mantém em R$ 114av x R$ 116ap, com preços de até R$ 1/@ acima desta referência e ágio EU adicional de +R$ 1/@.

O melhor preço de GO é tido como o R$ 118ap, enquanto que em SP, marca R$ 126 ap. Em termos de escala, o padrão de iniciar a semana com escala praticamente pronta é o que se mantém. Porém como muitas empresas ficaram fora das compras na semana passada por muito tempo, várias precisam de boi para sexta, dia 09.

Com a intensificação do frio e o início do vento da estação seca, ambos vistos na semana passada, vamos ver se muda algo em termos de entrega de bois para a indústria.

O diferencial de base de GO x SP tem apresentado comportamento errático nos últimos dias, mas segue a tendência de estreitamento em relação ao início do ano, fechando a média semanal em – R$7,50/@. As vacas, aparentemente não vão mais aumentar o deságio em relação ao boi, o qual já foi maior neste ano. Pelo contrário, parece iniciar uma tendência de estreitamento, pois a média semanal ficou abaixo de 7% em relação ao boi.

O BEEFRADAR segue os passos de SP e fica em: “estabilidade(45%)/queda leve (55%)”.

 

3)      HORA DO QUILOeste é sobre “Ação e Caminho”. O primeiro leva ao segundo: “O sentimento cria a ideia. A ideia gera o desejo. O desejo acalentado forma a palavra. A palavra orienta a ação. A ação detona resultados. Os resultados nos traçam o caminho nas áreas infinitas do tempo. Cada criatura permanece na estrada que construiu para si mesma. A escolha sempre é nossa” (Emmanuel, no Livro “Agora é Tempo”).

 

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. NEM DÁ “MAIS IBOPE”

Está virando “carne de vaca” os recordes nominais do preço do bezerro de tanto que estão ocorrendo. Foram vários esta semana, e a sexta terminou com mais um: R$ 1.053,78/cab, referência para o bezerro desmama do MS… Impressionante. Cuidado com loucuras na reposição este ano. O seu próximo ciclo de engorda começará com uma “semente muito cara”. A produção e a venda da próxima colheita terão que ser igualmente boas para que você tenha lucro. E elas ocorrerão na nossa “economiazinha”…

4.2. OFERTA DE BOI GORDO OU DEMANDA DE CARNE?

Quem vai sair da UTI primeiro? A suja ou a mal lavada? Estávamos passando por um momento em que a oferta era fraca e a demanda muito positiva. Isto durou bastante, até o meio de março. O resultado: recordes atrás de recordes do preço do boi gordo, culminando com o recorde nominal da @ em SP, base a vista, de R$ 127,77, no dia 24/mar.

Ocorre que nada vem sozinho. Este “preção” no boi, levou a termos outro “preção”, o da carne (pico de R$ 8,32/kg de carcaça casada em 18/mar). E de lá para cá, o mercado atacadista não se sustentou, provavelmente porque o nosso mercado consumidor interno sinalizou que além deste preço não “topa pagar”. Ainda mais porque o preço do frango mostra caminho inverso (em queda a semanas). A exportação compensou até março, mas a conversão desta @ em US$ mostra que perdemos muito de nossa competitividade, ainda mais com a queda do dólar, que fechou o mês de abril, novamente em queda (3º mês seguido).

Ainda do lado interno, nossa economia, tema muito abordado aqui tem decepcionado muito. Já falamos demais nisto. Esta semana até o Ministério da Fazenda reduziu a expectativa de crescimento para 2,3%, ainda bem acima de 1,6 a 1,8% esperados pelo mercado. A Copa está frustrando muita gente. Até a “queridinha do Planalto”, que é a indústria automobilística está em maus lençóis… Pensar que isto não reflete na carne, é um erro muito grande.

Portanto, esta é a situação da demanda. A consequência é que de 18/mar para cá, a carne no atacado só fez cair, aparentemente encontrando um piso neste momento. Pelo menos parou a queda.

Vamos ver como virão os números das exportações de abril e do acumulado jan-abril. O mês de março já decepcionou…

Se do lado da demanda “a coisa está ruim”, a oferta, igualmente vem ruim a tempos. Ensaiamos, umas duas semanas atrás, um aumento da oferta mas a verdade é que ela apenas ensaiou, mas não se concretizou. Este leve aumento, fez desaparecer o desespero dos frigoríficos em achar o bovino gordo, mas não foi suficiente para fazê-lo “derreter”. Apenas algumas baixas (cerca de R$ 2 a 3/@).

Esta semana foi a primeira típica de estação seca e com mais frio no Centro-Oeste do BR, derrubando a temperaturas em regiões produtoras. Até o vento da seca começou para valer e a chuva parece que “deu adeus” mesmo. Será que o boi resiste?

O fato é que acho que a oferta tende a melhorar de agora em diante, melhora esta de nível ainda a ser esclarecido pelo mercado. De outra sorte, também acho que a demanda deve ter encontrado seu piso e é possível alguma melhora com a eminência da Copa no País. Tudo isto corrobora para a manutenção do cenário macro que desenhamos a semanas e que vem se mantendo: “estabilidade, com leve viés para baixo, de intensidade ainda a ser definida”.

O resumo do que foi exposto acima mostra que o preço não sabe para onde ir e tem oscilado para baixo e para cima muito pouco, bem refletido pelos indicadores de preço, ao menos neste sentido (exceção feita às máximas captadas pelo CEPEA, para mim, fora de base nas últimas semanas).

4.3. DESARMARAM A BOMBA RELÓGIO

Sobre o possível caso de EEB não clássica no MT, na semana passada tivemos uma esperança. Foram analisadas amostras de outros 49 animais que tinham relação de idade/local próximos à vaca afetada e todas as amostras deram resultado negativo, diferentemente da bendita vaca.

Na sexta, porém, saiu a informação de que o resultado da amostra da vaca detectada no frigorífico do MT e que foi enviada ao laboratório de referência mundial confirmou o que já havia sido detectado no Brasil: a amostra é POSITIVA  para a EEB. Resta saber se a ocorrência é da doença “típica” ou “atípica”. O primeiro caso seria um problema muito grande, mas o segundo, nem tanto. Tudo indica que seja o segundo. Esta definição de extrema importância sai provavelmente no dia 08/maio. Mais detalhes podem ser vistos em:http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/giro-do-boi/entenda-o-caso-de-eeb-no-mato-grosso-mapa/?&utm_campaign=diario&utm_source=newsletter&utm_medium=email

Por ora, antes da determinação da tipicidade da doença que acometeu a vaca, o que vejo são apenas possíveis pressões por parte de determinados países interessados em continuar comprando a nossa carne, mas pagando menos. O reflexo até o momento tende a ser maior em relação ao físico apenas no MT, pois frigoríficos de outros estados, perto da fronteira, já não mais estão comprando animais daquele estado. No mais, temos que esperar o desenrolar das notícias nos próximos dias.

Tudo indica que movimentos de compradores suspendendo importações podem ocorrer, já inclusive começaram com a suspensão de compras do MT por parte do Egito e especulações por parte do Irã (também envolvido com problemas de crédito).

Ainda é difícil dimensionar os impactos disto no físico, mas estes devem estar relacionados ao fato, que diferentemente que no caso de 2012, o evento desta vez ocorreu no estado com maior rebanho no País (carne do MT pode ter que ser absorvida pelo mercado interno) e num momento do ano bem diferente daquela oportunidade (não em dezembro, após a entrega da produção de águas e seca do ano, mas sim, no pico da entrega da produção de pasto e às vésperas do início da safra de confinamento).

Por ora, apenas cautela, como falamos no texto passado. O mercado tende a especular muito nos próximos dias. Até o próximo, se assim, Deus nos permitir.

rodrigo albuquerque
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